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terça-feira, 22 de outubro de 2013

O BAIXO E ALTO EGITO E A UNIFICAÇÃO



 
O Baixo e o Alto Egito

Antes da unificação do Egito, existiam duas regiões; o Baixo e o Alto Egito. Essas regiões eram formadas por nomos que nada mais eram que divisões de governo. Cada nomo possuía sua divindade principal e cultuavam milhares de deuses, tinham seus líderes, seus templos, seus sacerdotes e eram muito organizados. Para aproveitar melhor as águas do rio Nilo, os nomos precisaram colaborar mutuamente, passando a construir canais de irrigação que garantissem uma agricultura eficaz. Com o passar dos anos, essas alianças começaram a se tornar uma “mini-unificação interna” que a frente resultou na formação do estado egípcio unificado.

Segundo BAINES; MALIK (2004, p. 15), “Os nomos foram divisões administrativas do Egito, cujas origens remontam ao começo do período dinástico. Os 22 nomos do Alto Egito foram estabelecidos pela V dinastia, e sua extensão ao longo do rio é lembrada pelo templo de Senusret I em Karnak [...] Quanto ao Baixo Egito, o número definitivo de 20 nomos não foi estabelecido antes do período Greco-romano. El Fayun e os oásis não faziam parte do esquema. O número total de 42 nomos tinha um valor simbólico: 42 eram os juízes dos mortos, e um escritor cristão dos primeiros tempos, Clemente de Alexandria (século II), afirma que os egípcios tinham 42 livros sagrados.”

O Alto Egito era representado pela coroa branca e seu principal símbolo era o Lótus e a deusa abutre, Nekhbet.
Coroa Branca do Alto Egito

O Baixo Egito era representado pela coroa vermelha e seu principal símbolo era o Papiro e a deusa cobra, Wadjet.

Coroa Vermelha do Baixo Egito

O Baixo Egito, ao norte, onde se forma o Delta do Nilo era considerado uma região de clima mais favorável, com temperaturas mais suaves e com mais chuvas. Já no Alto Egito, ao sul, o clima era mais seco e com poucas chuvas, sendo que as inundações do Nilo faziam com que a terra fosse extremamente fértil. No link “Nomes do antigo Egito”, você pode conhecer a origem dos nomes atribuídos ao Baixo, Alto e Unificado Egito.
A seguir temos um mapa em inglês, que mostra as duas localidades. Sendo que “Lower Egypt” é o Baixo Egito e “Upper Egypt” é o Alto Egito. Clique nele para amplia-lo.

Representação do Alto e do Baixo Egito (Em inglês)

Popularmente conhecido como período Pré-Dinástico, o Egito ainda não tinha sido unificado e muitas teorias afirmam que os povos da Mesopotâmia tiveram uma influência muito grande na formação da cultura egípcia, trazendo a esses nomos novas tecnologias. A escrita cuneiforme inventada na Mesopotâmia é defendida como sendo a base dos Hieróglifos egípcios. Para entender o processo de unificação do Baixo e do Alto Egito.


A Unificação do Egito

A história egípcia tem início com a unificação dos dois territórios (Baixo e Alto Egito). A partir desse momento, em meados de 3.200 a.C iniciou a era das trinta e uma dinastias até as sucessivas invasões que culminaram na queda do império. Segundo MILLARD (1975, p. 11) “Os primeiros habitantes do Egito necessitavam de grande coragem para penetrar no Vale do Nilo, com seus pântanos e animais perigosos. Os seus descendentes foram descobrindo novos modos de vida. Para conseguir viver, tiveram que aprender a irrigar as terras, armazenando as águas do Nilo num sistema de canais. Para isso, tinham de trabalhar juntos e necessitavam de chefes forte e inteligentes[...]Aos poucos suas pequenas colônias (nomos) uniram-se através de alianças ou conquistas.”


A Paleta de Narmer

A paleta de Narmer, que encontra-se atualmente no Museu egípcio do Cairo, retrata o Faraó usando as duas coroas (Baixo e Alto Egito) em momentos distintos. Um dos maiores especialistas em Hieróglifos, chamado Alan Gardiner, disse que as imagens mostram claramente o Faraó sendo saudado como o conquistador do Baixo Egito. A paleta era um artefato muito comum no antigo Egito e servia como base para misturar tintas, cremes e óleos que se aplicavam ao corpo. Pensa-se que foi Narmer que unificou o Egito, mas segundo o historiador egípcio Maneton, o primeiro unificador teria sido um Faraó de nome Menés. Para muitos estudiosos, Narmer e Menés seriam a mesma pessoa e Menés seria a forma grega de escrever o nome Narmer.


Coroa da Unificação do Alto e Baixo Egito

Coroa Azul usada durante as guerras

A unificação do Egito foi um trabalho intenso em pacificar os dois lados. Narmer e os Faraós seguintes casavam-se com princesas do Baixo Egito, afim de mostrar a união de ambos os lados. A ideia não era passar uma superioridade e sim mostrar que o Egito seria forte com a unificação, porém mesmo com todo esse esforço a 1ª dinastia ficou longe de estar totalmente pacificada. O primeiro faraó da 2ª dinastia cujo nome de Hórus é Hetepsekhemui e significa “os dois poderes estão em paz” reafirma o momento tumultuado que o fim da 1ª dinastia sofreu e mostra a vontade do Faraó em acalmar os ânimos da população.
Mesmo com o esforço de alguns em tentar soluções pacíficas houveram outros que fizeram frente as regiões. Peribsen, Faraó da 2ª dinastia, na tentativa de acabar com a rivalidade entre o Alto e o Baixo Egito ou em uma tentativa de mostrar o poder do Alto Egito (há muitas divergências sobre a finalidade), escolheu o Deus Seth ao invés de Hórus e nas representações de seu nome, usa o animal associado a Seth (deus do Alto Egito), abolindo totalmente o até então principal Deus Hórus. Vale aqui ressaltar que Hórus mesmo sendo o Deus do Baixo Egito, foi escolhido por Narmer como divindade, muito provavelmente afim de mostrar que realmente a unificação seria uma união entre ambos os lados.
O Faraó Khasekhemui foi o sucessor de Peribsen e pouco se sabe sobre a sua vida, mas foi o único faraó da história a ter os dois deuses Hórus e Seth em seu Serekh. Sendo essa, mais uma tentativa em mostrar ao povo a unificação. Depois da morte de Khasekhemui, o Deus Seth foi retirado de seus Serekhs, sendo Hórus novamente a divindade principal. Seth, de modo geral começava a ser visto como um Deus maligno, o que é explicado com a associação das inúmeras mortes necessárias para a unificação. Durando um longo período, a união entre o Baixo e o Alto Egito passou por uma instabilidade política na 7ª dinastia, onde diversos reis assumiram o poder em um espaço curto de tempo.

Autor: Lucas Ferreira

Fontes / Referências:
- BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2004.
- HART, George. The British Museum Pocket Dictionary of Ancient Egyptian Gods and Goddesses. British Museum Press, 2001.
- MCDONALD, Angela. The Ancient Egyptians: Their Lives and Their World. Published by The British Museum Press, 2008.
- MILLARD, Anne. The Egyptians (Peoples of the past). London: MacDonald & Company, 1975.
- MORLEY, Jacqueline; SALARIYA, David. How Would You Survive As an Ancient Egyptian?.  London: Orchard/Watts Group, 1999.
- SHAW, Ian. The Oxford Illustrated History of Ancient Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2000.

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