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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

DANÇAR NO ESPÍRITO




      Na Bíblia existem várias expressões que se referem a “dançar' e “bailar”. Contudo, nenhuma passagem nas Escrituras Sagradas fala de “dançar no Espírito”. Essa frase não é bíblica nem teológica. A Bíblia nos informa que os povos antigos manifestavam seus sentimentos por meio de danças.
      Quando voltavam das batalhas em defesa de suas vidas ou da pátria maridos ou parentes, as mulheres, incluindo esposas e filhas, saíam ao encontro dos vitoriosos com cânticos e danças . Miriã a profetiza, a irmã de Arão e de Moisés, e todas as mulheres libertas do cativeiro egípcio, celebraram a passagem do Mar Vermelho com “tambores e danças” (Ex 15.20). Em tempos remotos, havia uma celebração ao Senhor em Israel e as filhas de Israel saíam a dançar em ranchos celebrando a “solenidade do Senhor em Siló' (Jz 21.19,21).
     Davi, após conduzir a Arca da Aliança da casa de Obede-Edom até a cidade de Jerusalém, ia 'bailando e saltando' diante do Senhor (2 Sm 6.16). Com o passar do tempo, essa pratica tornou-se comum em Israel. Jeremias fala que depois de uma abençoada colheita, 'a virgem se alegrava na dança' e também os 'mancebos e os velhos' celebravam da mesma maneira (Jr 31.13). Também em Lamentações o profeta acrescenta: “Cessou o gozo do nosso coração; converteu em lamentação a nossa dança”, Lm 5.15.
     Os profetas de Baal, durante sua cerimônia sacrificial, usavam uma espécie de música aos gritos e danças aos saltos ao redor do altar (1Rs 18.26). Do lado sensual, havia em Israel a famosa “dança do ventre”, que ainda hoje é praticada com freqüência no Oriente Médio. As filhas de Sião, quando perderam o temor a Deus, adicionaram ao seu andar a dança do ventre – o que foi severamente condenada pelo Senhor (Is 3.16). Salomé, a filha de Herodes, dançou também desta maneira (Mc 6.22).
    No Novo Testamento, em algumas de suas passagens, a música e as danças encontram-se em evidências, sendo praticada nas solenidades judaicas. Jesus comparou à situação de seus dias com aquele que diziam: “Tocamo-vos flauta, e não dançastes” (Mt 11.17). O irmão do filho pródigo ficou indignado quando ouviu e viu “a música e as danças” para seu irmão (Lc 15.25). Entre as nações semíticas, as danças sagradas eram observadas tanto por homens quanto por mulheres.
      Existem várias recordações bíblicas dizendo que os santos devem se alegrar no Senhor (Sl 32.11) e servir ao Senhor com alegria (Sl 100.2). Maria, mãe de Jesus, foi uma jovem santa no Novo Testamento. Ela agradeceu a Deus dizendo: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lc 1.46-47). Mas não existe nenhuma recomendação no Novo Testamento, que é o manual da Igreja Cristã na Dispensação da Graça, dizendo que se deve “dançar no Espírito”. Além disso, certas danças que existem por aí em certos seios evangélicos não são espontâneas, mas ensinadas com antecipação e apresentadas ao público como “dançar no Espírito”. Por outro lado, existem também aqueles que aproveitam os momentos festivos e neles procuram extravasar suas emoções e euforias, além das regras preestabelecidas pela sobriedade e ética cristã.
     O Apostolo Paulo fala de “orar no Espírito”, “bendizer no Espírito” e “cantar no Espírito”, mas nunca fala de “dançar no Espírito”. Não digo que não façam, porém acredito que as manifestações do Espírito Santo no meio do povo de Deus requer um pouco de prudência. Sabemos que em alguns momentos não é fácil de se controlar com o derramamento do poder de Deus. Contudo, a sabedoria de divina nos ensina que, via de regra, quanto mais o cristão está cheio do Espírito, mais controlado ele fica. Pois a manifestação do Espírito traz ao crente o amadurecimento e a sobriedade cristã. Descontrole não é sinal de estar totalmente controlado pelo Espírito de Deus.
     Existem outras maneiras mais suaves, dentro do campo da ética, de se agradecer a Deus pelos seu amor e bondade, do que certas práticas extravagantes que podem até despertar curiosidade carnal.

http://estudos.gospelmais.com.br/danca-no-espirito.html

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

RETETÉ DE JEOVÁ E OS BEREANOS




          Cada vez mais tenho percebido que parte dos evangélicos estão vivendo um estranho tipo de evangelho. O sensacionalismo bem como o emocionalismo catártico, fruto do chamado retété de Jeová tem ditado em nome do Espírito Santo comportamentos absolutamente contrários aos ensinos bíblicos.
          Em nome da experiência, doutrinas e práticas litúrgicas das mais estapafúrdias tem se multiplicado em nossos arraiais. "Sapatinho de fogo, unção do cajado, do riso, do leão, galo que profetiza", entre tantas outras mais fazem com ruborizemos diante de tanta sandice.
          Talvez ao ler este texto você esteja dizendo com seus botões: quem somos nós para julgar alguém? A Bíblia nos ensina que não podemos julgar ninguém. Ora, quando o Senhor Jesus advertiu contra o juízo temerário (Mt 7:1-6), Ele não estava declarando pecaminoso e proibido toda e qualquer forma de juízo. Dentro do contexto de Mateus nosso Senhor nos induz a discernir quem é cão e porco para que não se desperdice a graça de Deus. Julgar não é pecado! Afinal o próprio Deus exerce juízo. Ele mesmo nos ordena exercer o discernimento, que diga-se de passagem é o dom mais ignorado, e talvez o mais odiado hoje em dia.
          Cristo julgou os escribas e fariseus pelo seu comportamento hipócrita e doutrinariamente distorcido (Mt 23:1-36). Se o julgar não é o papel de um homem de Deus, então creio que tanto os profetas do Antigo Testamento como os apóstolos devem ser despidos deste título! O que falar então dos crentes de Béreia? Ora, diz a Bíblia que ele não engoliam qualquer ensinamento, antes pelo contrário, verificavam se o ensino estava de acordo com a sã doutrina.
          Como já escrevi inúmeras vezes, creio veementemente que boa parte dos nossos problemas eclesiásticos se deve ao fato de termos abandonado as Escrituras. Não tenho a menor dúvida de que somente a Bíblia Sagrada é a suprema autoridade em matéria de vida e doutrina; só ela é o árbitro de todas as controvérsias, como também a norma para todas as decisões de fé e vida. É indispensável que entendamos que a autoridade da Escritura é superior à da Igreja, da tradição, bem como das experiências místicas adquiridas pelos crentes. Como discípulos de Jesus não nos é possível relativizarmos a Palavra Escrita de Deus, ela é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos.
          O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na Bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro.
         Em tempos difíceis como o nosso, precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento.
Fonte: Renato Vargens
www.renatovargens.com.br

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O QUE A BÍBLIA DIZ A RESPEITO DE TATUAGEM E PIERCINGS?

 

 
A lei do Antigo Testamento ordenou aos israelitas: “Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o Senhor” (Levítico 19:28). Portanto, apesar de não estarem os crentes sob a lei do Antigo Testamento nos dias de hoje (Romanos 10:4; Gálatas 3:23-25; Efésios 2:15), o fato de ter havido um uma ordem contra tatuagens deveria nos fazer pensar sobre a questão. O Novo Testamento não faz menção sobre os crentes fazerem ou não tatuagem.

Em relação às tatuagens e piercings, um bom teste é determinar se podemos ou não, com honestidade e sã consciência, pedir a Deus que abençoe e use esta atividade particular para Seus bons propósitos. “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Coríntios 10:31). 

A Bíblia não se coloca condenando tatuagens ou piercings, mas também não nos dá razão alguma para crermos que Deus nos deixaria fazê-los.

Outra questão a considerar é o recato. A Bíblia nos instrui ao recato no vestir (I Timóteo 2:9). Um aspecto do vestir recatadamente é nos certificarmos de que cada parte que precisa ser coberta com roupas está adequadamente vestida. Entretanto, o significado essencial do recato é não chamar atenção para si mesmo. As pessoas que se vestem com recato o fazem de maneira tal que jamais chamam atenção para si mesmas. Tatuagens e piercings, com certeza, são chamativos. Neste sentido, as tatuagens e piercings não são recatados.

Um princípio importante das escrituras a respeito de casos sobre os quais a Bíblia não lida especificamente é que, se há dúvidas se isto agrada ou não a Deus, então é melhor não fazê-lo. “Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado” (Romanos 14:23). Precisamos ter em mente que nossos corpos, assim como nossas almas, foram redimidos e pertencem a Deus. Apesar de não se aplicar diretamente a tatuagens e piercings, I Coríntios 6:19-20 nos dá um princípio: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” Esta grande verdade deve sempre pesar no que fazemos e até onde podemos ir em relação a nossos corpos. Se nossos corpos pertencem a Deus, deveremos sempre nos certificar de que temos Sua clara “permissão” antes de neles deixarmos “marcas” com tatuagens e piercings.

sábado, 17 de agosto de 2013

POR QUE É IMPORTANTE PARTICIPAR DA CEIA?


     
    A Santa Ceia é uma ordenança do próprio Cristo para a Igreja, de modo que é bastante mencionada no Novo Testamento. É um memorial instituído por Ele afim de lembrarmos o Seu sacrifício na cruz em prol do perdão dos nossos pecados, para que pudéssemos desfrutar da vida eterna ao lado do Pai.

Veja as palavras de Jesus ao celebrar a Santa Ceia:

Chegou, porém, o dia da Festa dos Pães Asmos, em que importava sacrificar a Páscoa. E andou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a Páscoa, para que a comamos.
E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e, com ele, os doze apóstolos. E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta Páscoa, antes que padeça, porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no Reino de Deus. E, tomando o cálice e havendo dado graças, disse: Tomai-o e reparti-o entre vós, porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o Reino de Deus. E, tomando o pão e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isso em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós. (Lucas 22.7,8,14-20)

     Com base nesse texto, entendemos que Jesus, usando elementos da Páscoa judaica, deu novo significado a esta refeição. Uma vez que Ele próprio seria o Cordeiro sacrificado para o perdão dos pecados do povo, o pão repartido representaria Seu corpo, e o vinho, Seu sangue derramado para a remissão dos nossos pecados.
     Portanto, o ato de alguém comer o pão e beber o vinho na Santa Ceia comunica que essa pessoa entende que foi beneficiada pela morte sacrificial de Jesus e que passou a ter comunhão com Deus. Afinal, essa foi a última refeição de Jesus com Seus discípulos, antes de Ele ser crucificado, e, segundo Sua determinação, ela deveria ser repetida em Sua memória, quando Ele ressuscitasse e retornasse ao céu, onde se assentaria à destra de Deus Pai.
     Estando associada à refeição da Páscoa, um memorial da libertação da escravidão no Egito, a Santa Ceia tem significados múltiplos, tais como libertação do jugo do pecado, remissão, perdão, justificação, comunhão, aliança com Deus por intermédio de Jesus, e a volta de Jesus para buscar Sua Igreja (Lucas 22.18,29,30).
     Sendo assim, este ato de comunhão com o Senhor não só proporciona uma experiência de unidade do Corpo de Cristo, como também é uma motivação maior para não cairmos em pecado e para abster-nos de todo mal. É o reconhecimento e a proclamação da Nova Aliança de Deus com a humanidade e a reafirmação do senhorio de Jesus e do nosso compromisso em cumprir a Sua vontade.
Deste modo, nenhuma pessoa que não seja verdadeiramente convertida e batizada nas águas, ou que possui pecado não confessado no coração, deve tomar a Ceia. Se assim agisse, tornar-se-ia réu do corpo e do sangue de Cristo, pois foi o pecado que o pregou à cruz.
     Não é à toa que o apóstolo Paulo advertiu os coríntios sobre a necessidade de examinarem sua vida espiritual antes de participarem dessa celebração (1 Coríntios 11.26, 28, 29). Eles não tinham entendido o verdadeiro propósito e significado da Santa Ceia. Por isso que as igrejas de hoje têm um momento de preparação espiritual antes da Ceia, para que ninguém participe de forma indigna.
    Apesar de a autorreflexão e a confissão serem elementos importantes, a Santa Ceia não deve constituir-se em um momento de tristeza, mas de ação de graças e júbilo. Afinal, essa festa é uma oportunidade de crescimento espiritual e de bênçãos, se participarmos com a atitude correta.
     Não se esqueça: em breve, Jesus voltará para buscar aqueles que reconheceram Seu sacrifício na cruz e que foram lavados e remidos pelo sangue dele.

SUGESTÕES DE LEITURA:
Mateus 26.26-29; Marcos 14.22-25; Lucas 22.15-20; 1 Coríntios 11.23-32

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O SACERDÓCIO FEMININO NAS IGREJAS PROTESTANTES




INTRODUÇÃO

O sacerdócio ministerial nas igrejas protestantes foi exclusivamente masculino até o século XX. Certas igrejas luteranas alemãs empregaram pastores do sexo feminino desde a década de 1920. Na Suécia, a proibição constitucional do sacerdócio feminino foi abolida em 1945, na Dinamarca em 1947 e na Noruega já em 1938, mas com a restrição de que uma mulher não deveria ser nomeada se a congregação se opusesse a isso por princípio. Essa cláusula foi anulada em 1956.

Estudos recentes sobre a distribuição de autoridade no interior das igrejas revelam a tendência de revisão dos constrangimentos à participação das mulheres na direção das comunidades pentecostais, destacando o crescimento do número de denominações com pastorado feminino e a multiplicação das igrejas fundadas por mulheres. Nesse sentido, cabe esclarecer que, embora a história do protestantismo indique a implementação do sacerdócio feminino no território brasileiro pela igreja pentecostal Evangelho Quadrangular em meados dos anos 1950, o impacto dessa iniciativa foi, entretanto, reduzido até os anos 90 do século passado, com pouquíssimas igrejas evangélicas adotando o pastorado feminino. Foi também nesta última década que surgiram novas estruturas eclesiásticas lideradas por mulheres.

Ainda que fortemente associada à expansão neopentecostal, a tendência de revisão do sistema de autoridade não está circunscrita ao segmento mais novo da tradição evangélica. Movimentos em favor da consagração de mulheres já podem ser percebidos tanto na Assembléia de Deus, uma das mais tradicionalistas e sexistas denominações do pentecostalismo clássico, quanto na comunidade Batista, que é a maior e mais popular igreja do protestantismo histórico em nosso país. Além disso, é importante deixar claro que nem sempre as mudanças nas hierarquias eclesiásticas resultam das reivindicações e da pressão das mulheres que as integram.

Fatores de outra natureza, como por exemplo o acirramento da competição religiosa e o reduzido número de homens para o sacerdócio podem favorecer a adoção do pastorado feminino em algumas igrejas. Assim, torna-se imprescindível o exame dos critérios e dos mecanismos mais comuns de ascensão das mulheres para se avaliar o impacto das propostas feministas de maior eqüidade entre os gêneros nas agremiações pentecostais.

Em se tratando de um fenômeno recente, a consagração de mulheres ao sacerdócio ainda necessita de uma pesquisa mais ampla e comparativa envolvendo as diversas denominações religiosas. Entretanto, as primeiras análises sobre o tema sugerem uma forte associação entre o sacerdócio feminino e o laço matrimonial, uma vez que a maioria das pastoras é casada com homens que ocupam cargos hierárquicos iguais ou superiores em suas denominações. As trajetórias de algumas das mais expressivas lideranças pentecostais revelam a importância dos vínculos domésticos e o papel decisivo dos homens no processo de ascensão das mulheres nas hierarquias religiosas. Restaria analisar os artifícios desenvolvidos pelos dirigentes do sexo masculino para garantir o controle sobre a atuação feminina no púlpito.

As mais importantes estratégias já identificadas nas igrejas que abandonaram a interdição das mulheres nos espaços de poder foram: a revisão na forma de conceber o ministério, que passou a ser um compromisso do casal, e a adoção nos rituais da "pregação de sermões em parcerias". Atrelar a consagração das mulheres à concepção do ministério do casal foi a fórmula encontrada pelas lideranças de várias denominações para preservar a dependência feminina em relação aos homens. A pregação conjunta também pode ser interpretada como uma forma de enquadrar a participação das mulheres na direção da comunidade religiosa. Assim, se por um lado o crescimento das ordenações femininas sugere uma sensibilidade da liderança masculina com os processos de revisão do lugar social das mulheres na sociedade contemporânea, por outro percebe-se resistências à autonomia feminina e, conseqüentemente, dificuldades em implementar uma política mais eqüitativa de administração da denominação.
 
A EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES
 
Segundo Cecília Mariz (graduada em Ciências Sociais, mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco, e doutorado em Sociology of Culture and Religion pela Boston University) o papel masculino e feminino e a relação de gênero, as igrejas pentecostais, inclusive neopentecostais, tendem, em linhas gerais, a adotar um modelo bastante similar entre si e ao modelo tradicional patriarcal. Afirmam que homens e mulheres desempenham papéis diferentes e complementares na unidade familiar (homem/provedor e mulher/cuidadora), cabendo ao primeiro exercer a liderança dessa unidade, ou seja, ser a “cabeça da família”. No entanto, chamam atenção de que a mulher deve obedecer, antes de tudo, a Deus, e sua submissão ao homem não pode jamais levá-la a infringir a lei de Deus. Da mesma forma, o homem não deve jamais esquecer sua submissão à lei de Deus. Essa ênfase na submissão a Deus faz com que essas igrejas levem os fiéis a romper, em parte, com o machismo tradicional, relativizando o modelo patriarcal da sociedade mais ampla na medida em que cobram dos homens um compromisso com Deus, com a mulher e filhos, e dão mais autonomia e espírito crítico às mulheres. Dessa forma, o discurso oficial das igrejas pentecostais tampouco difere daqueles da Igreja Católica e protestantes históricas. As diferenças surgem na diversidade da interpretação das lideranças específicas e dos fiéis e no grau de flexibilidade e possibilidade de adaptação desse modelo à vida cotidiana. Essa variação depende menos dos discursos oficiais de cada igreja do que do contexto social onde vivem fiéis e lideranças. No entanto, observam-se diferenças do discurso oficial entre essas igrejas quanto ao papel masculino e feminino dentro da própria comunidade eclesial. As igrejas protestantes e pentecostais tendem, em geral, a ser mais abertas do que a Igreja Católica quanto à aceitação da liderança feminina. No catolicismo, apenas homens celibatários podem ser sacerdotes. Dessa forma, a Igreja Católica rejeita não apenas a mulher como líder, mas rejeita que o sacerdote compartilhe sua vida com uma mulher e viva dentro do que seria considerado na sociedade mais ampla o mundo feminino por excelência, a família. Embora a aceitabilidade da liderança feminina nas igrejas protestantes históricas e nas pentecostais também varie muito, podemos encontrar várias igrejas pentecostais fundadas por mulheres. A crença na efusão cotidiana do Espírito Santo igualmente em homens e mulheres, permite que multipliquem lideranças femininas muitas vezes não oficiais e que muitas dessas possam fundar novas igrejas quando se sentem inspiradas a isso. O discurso pentecostal oferece toda legitimidade para esse fenômeno.

AS MULHERES NO PÚLPITO

As mulheres sempre foram importantes na vida oficial da Igreja e em muitas organizações voluntárias, como, por exemplo, as sociedades missionárias. Entretanto, o papel por elas desempenhado tem sido secundário. Os homens vêm ocupando as posições de liderança e em certas organizações apenas eles ainda têm permissão de assumir cargos administrativos e também de pregar. Isso se deve ao sistema patriarcal que impregnou a Igreja até agora. Muitas vezes, cita-se Paulo quando se quer falar na subserviência das mulheres aos homens (Efésios 5,22-24; Colossenses 3,18).


Véu na cabeça, olhos baixos e boca fechada. Esta é a primeira imagem que invade a mente de qualquer um que lê as instruções de Paulo às mulheres de Corinto na primeira epístola. E foi, durante séculos, a que norteou o pensamento das lideranças em todo o mundo cristão. Mas muita coisa mudou desde o martírio de Joana D'Arc ao radicalismo da militância feminista da americana Betty Friedan. No mundo inteiro, a figura da mulher saiu da obscuridade, fazendo com que os homens abrissem mão da hegemonia em diversas áreas para dividir espaço com o sexo oposto. A Igreja brasileira não foge a essa tendência: um novo segmento pastoral, composto por mulheres convictas de sua vocação, ganhou corpo nos últimos anos, disposto a provar que o púlpito não é uma exclusividade masculina. O fenômeno tem dividido opiniões dentro da igreja, mas, a julgar pelo sucesso de ministérios como os de Valnice Milhomens e Sônia Hernandes, entre outras, o processo parece irreversível.

Só é possível entender as razões dessa polêmica examinando, ainda que brevemente, o passado do cristianismo. No Antigo Testamento, são várias as passagens que relacionam a mulher a situações de ruína humana, a começar por Eva. Se hoje não é mais vista como a responsável pela entrada do pecado no mundo - Romanos 5.12 mostra que a história é outra - , na mente masculina ela sempre foi, no mínimo, cúmplice. Jezabel, Dalila e outras megeras ajudaram a criar uma imagem feminina nada favorável. O Novo Testamento é bem mais condescendente com a mulher, mas o termo submissão é freqüentemente associado a seu ideal de comportamento.

No quarto século, a Igreja Católica decidiu que os sacerdotes tinham que ter dons específicos dados diretamente por Deus, e não atribuídos pelo homem. Assim, olharam para o Antigo Testamento, para as tradições culturais hebraicas e concluíram que a Bíblia não abria precedentes para a ordenação sacerdotal do chamado "sexo frágil". Aliaram à tese o fato de que, para exercer a função de liderança no corpo de Cristo, o candidato deveria ter a pureza como virtude inquestionável. Neste quesito, nova desvantagem feminina: sob o ponto de vista da lei mosaica, as mulheres eram consideradas imundas nos períodos menstruais, o que as tornava inaptas para o sacerdócio.

As exigências aumentaram, surgiu o celibato e os púlpitos se tornaram ainda mais exclusivos dos homens, embora a Bíblia contenha relatos de mulheres que exerceram papéis fundamentais na História da Igreja. Débora tornou-se juíza de Israel. De prostituta anônima, Raabe passou a integrante da genealogia de Jesus. Maria, o exemplo mais contundente, foi escolhida para dar à luz o Salvador. Ainda assim, há correntes radicais que enxergam excessos nessa valorização da figura feminina, o que, acreditam, pressupõe grandes riscos à estabilidade da Igreja.

Ação e reação Impedida de alcançar o sacerdócio, restou à mulher resignar-se com as atividades subsidiárias ao serviço eclesiástico, algo que o protestantismo, pelo menos em seu nascedouro, não fez questão de modificar. No entanto, nem a Igreja passa absolutamente incólume pelas revoluções culturais, políticas e econômicas que costumam criar marcos na História. Mesmo com atraso, ela se adaptou às mudanças sociais, incluindo-se aí a ampliação ao universo feminino de direitos antes reservados só aos homens, como salário e voto. Além disso, nem sempre havia contingente masculino suficiente para suprir a demanda de cargos de liderança nas igrejas e suas frentes de evangelização. Foi assim que as mulheres levantaram dos bancos para falar, cantar, atender, administrar e - ousadia das ousadias - ensinar.

Se a presença feminina na Igreja já era marcante nas áreas de educação religiosa, música, ação social e tantas outras, era de se supor que logo a mulher se lançaria numa empreitada ainda mais difícil: a de provar competência para exercer o ministério pastoral. Também era previsível a reação das alas conservadoras, para quem não há contexto nem argumento histórico que justifique uma interpretação liberal das instruções paulinas contidas principalmente nos últimos capítulos de I Coríntios. Ambos os lados afirmam estar baseados em preceitos bíblicos. Fato é que nem a oposição tem conseguido impedir o avanço do ministério pastoral feminino.

Depois de enfrentar séculos de resistência, qual seria o preço a ser pago pelas mulheres que exercem o ministério? Pastoras já consagradas garantem que, ao contrário do que alguns homens possam pensar, elas têm que matar um leão por dia para cumprir a vocação. "Qualquer homem pode ser pastor, mesmo que não tenha sequer formação ética para tanto, mas uma mulher tem que superar muitas dificuldades, provar sua seriedade e ainda dar frutos", desabafa a pastora Valnice Milhomens, 49 anos, fundadora do Ministério Palavra da Fé, hoje Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo. Ela acredita que a ordenação feminina é uma evidência do amadurecimento da Igreja no que diz respeito a velhos preconceitos, entre eles o mito de Eva como introdutora do pecado no mundo. Solteira, argumenta que a maior vingança de Deus contra o demônio é justamente utilizar a mulher como instrumento de redenção da humanidade.

Mesmo sendo radicalmente contra o movimento feminista que explodiu na década de 60 e desapareceu pouco depois, mergulhado em seus fanatismos, Valnice acha que, numa sociedade inflada por escândalos em todos os setores, as mulheres possuem um papel fundamental. "Raramente uma mulher está envolvida em falcatruas", enfatiza. Sua postura atual faz contraste com a formação religiosa que recebeu e a influenciou nos primeiros anos de atividade na igreja, uma época em que ela mesma se via atrelada às tradições. A pastora conta que olhava para as recomendações bíblicas do apóstolo Paulo e não aceitava a idéia de ter uma vocação. "Relutei para receber o título de pastora, embora as funções pastorais já não fossem novidade para mim", conta. Atualmente, Valnice coordena um ministério com mais de 20 igrejas, um centro de treinamento bíblico, um programa de televisão e 30 pastores, metade dos quais mulheres.

MACHISMO

Já a episcopisa (versão feminina de bispo) Sônia Hernandes, 38, nunca perdeu o sono com o texto de Paulo. Para ela, boa parte da polêmica é causada por interpretações distorcidas por conceitos machistas. "O mesmo Paulo trabalhava muito bem com Priscila, assim como com a mãe de Timóteo e tantas outras mulheres", argumenta. A pastora, que se tornou conhecida em todo o país como apresentadora dos programas evangélicos De bem com a vida e Espaço Renascer, na extinta Rede Manchete, divide seu tempo numa série infindável de atribuições. É dela a incumbência de ministrar aos 230 pastores e pastoras das 183 igrejas, dirigir os ministérios de adoração musical e assistência social, bem como o trabalho com adolescentes.

Expoente de um dos ministérios que mais tem crescido entre os evangélicos brasileiros, o Renascer em Cristo - criado pelo marido, o apóstolo Estevam Hernandes há 11 anos, e que atualmente conta com uma fundação, seis emissoras de rádio FM e um canal de TV UHF - , Sônia afirma que nunca percebeu qualquer restrição a seu trabalho ministerial. "O público masculino reconhece a unção de Deus na minha vida", garante.

Mas, afinal, quais foram as recomendações de Paulo que, quase dois mil anos depois, ainda causam tanta polêmica? Na primeira carta à igreja de Corinto, capítulo 14, versículo 34, o apóstolo sugere aos líderes que a mulher não se manifeste durante a cerimônia religiosa: "As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei". A orientação de Paulo, embora não seja a única, é o principal argumento utilizado para barrar a chegada das mulheres ao altar. Só que as diversas interpretações do texto bíblico levantam dúvidas a respeito da verdadeira intenção do apóstolo quando faz tal proibição.

Ordenada por um grupo de pastores da Igreja Evangélica Pentecostal Missionária há cerca de 14 anos, Gisela Guth de Araújo, 51, tem outra maneira de observar o texto. Ela defende que a determinação paulina de deve principalmente ao contexto religioso em que a população de Corinto estava inserida. Segundo a pastora, perto da cidade de Corinto existia uma ilha chamada Agrocorinto, onde as jovens virgens das regiões próximas eram oferecidas como sacerdotisas num templo da deusa grega Afrodite. No culto profano, elas tinham que raspar a cabeça para dirigir as cerimônias realizadas em homenagem à deusa - daí a origem de outra orientação de Paulo para que, dentro do templo, elas mantivessem a cabeça coberta, possivelmente para não chamar a atenção. Convertidas pela mensagem do Evangelho, elas levavam para a igreja alguns hábitos perniciosos, como a conversa descontrolada, que chocava os crentes primitivos, impregnados de elementos da tradição judaica, onde a mulher tinha que ficar afastada do cerimonial.

Para Gisela, no entanto, o apóstolo deixa outra orientação bem mais específica quanto à legalidade do ministério independentemente do sexo. "Paulo afirma em Efésios que Deus chamou uns para apóstolos, outros para profetas e outros para mestres", diz. "Em momento algum ele fala que Deus chamou homens ou mulheres para este ou aquele ministério exclusivo." De posse deste princípio, a pastora dirige a missão Atalaias de Jesus, que se propõe a recuperar drogados, e uma igreja com mais de 500 membros em Cuiabá (MT). Ela conta com o auxílio do marido e também pastor Osmair de Araújo, que, diga-se de passagem, converteu-se depois que a viu pregar. Gisela revela que, no início, seu nome era repelido por alguns pastores da região que recorriam ao seu passado na feitiçaria para denegrir sua imagem. "Cheguei a ser barrada no Conselho de Pastores da cidade", lembra.

TRADIÇÃO JUDAICA

A defesa da tese da justificativa histórica para a ordenação de mulheres defendida pela pastora encontra eco em estudiosos da religião. Para o professor de Velho Testamento do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, Elcio Santana, 34, é certo que a tradição histórica judaica interferiu na composição da Bíblia. "Afinal, o pano de fundo era a religião judaica patriarcal", argumenta. Elcio lembra que, no caso do apóstolo Paulo, havia motivos de sobra para acreditar na influência que os sacerdotes judeus exerciam sobre ele. Segundo o professor, Paulo foi discípulo de Gamaliel, um dos fiéis seguidores do rabino Hiliel, citado no Talmude (livro de interpretação da lei judaica e que relata a história do povo hebreu) como um sacerdote que dava graças a Deus todas as manhãs pelo fato de não ter nascido mulher.

Outro grupo evangélico pouco conservador no que diz respeito à ocupação dos gabinetes pastorais pelas mulheres é a Igreja Metodista. No Brasil, por influência da liderança da denominação em outros países, 80 pastoras foram ordenadas ao ministério desde 1982, 50 delas formadas em cursos de Teologia e 30 leigas. Algumas ocupam cargos destacados, como o de supervisoras de bispos e, como nas igrejas metodistas dos Estados Unidos, são fortes candidatas a episcopisas.

Segundo o presidente da denominação, o bispo Adriel de Souza Maia - recentemente empossado presidente da AEVB (Associação Evangélica Brasileira), a medida é bíblica e se propõe a valorizar ainda mais o trabalho das mulheres junto à Igreja moderna. "Elas representam cerca de 70% da membresia e, por isso, cumprem um papel evangelizador de destaque, além do fato incontestável de que sempre estão na linha de frente dos projetos de ação social", justifica. Adriel não poupa críticas aos teólogos mais conservadores. "Quando a mulher observa os mesmos textos bíblicos que os homens acham definitivos, interpretam de forma diferente. Isso acontece porque a linguagem machista exclui, mas a de Deus inclui não só as mulheres, como também a criança. Este é o plano de Deus."

Quem não aceita mulheres no exercício do sacerdócio apresenta argumento como a primeira carta de Paulo aos Coríntios, capítulo 11, versículo 3, que garante ao homem a liderança no lar. "Quero porém que saibas que Cristo é a cabeça de todo homem, o homem a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo." Para o teólogo Geremias do Couto, no entanto, o texto se refere à submissão da mulher especificamente no lar, e não dentro do quadro administrativo ministerial.

Mesmo sendo presidente da Associação Serrana de Educação Teológica das Igrejas Assembléia de Deus - uma denominação contrária à ordenação feminina, embora boa parte do seu quadro missionário seja preenchido por mulheres, Geremias garante que certas análises bíblicas devem levar em conta regras de Hermenêutica (interpretação) que não estão isoladas do contexto. "Em todo o Novo Testamento, a posição de Jesus perante as mulheres é de valorização. Paulo mesmo escreve uma carta de recomendação a Febe", analisa, referindo-se ao trecho em que o apóstolo apresenta uma missionária à igreja em Roma.

SEM EXCEÇÕES

A posição liberal está longe de ser uma unanimidade entre os evangélicos históricos. O presidente do Concílio das Igrejas Presbiterianas do Brasil, reverendo Guilhermino Cunha, tem uma munição de argumentos contrários. O pastor baseia sua objeção à ordenação feminina no fato da Bíblia, sobretudo o Antigo Testamento, não registrar exceções. "Não existiam sacerdotisas", argumenta. O pastor também lembra que, entre os anciãos do conselho das 12 tribos de Israel, não havia mulheres, assim como nenhuma mulher foi escolhida por Jesus para o apostolado.

Com relação à teoria da influência da cultura hebraica sobre os escritores da Bíblia, o pastor é taxativo: "A cultura não modifica a verdade revelada. Quando admitirmos que algumas coisas são mutáveis de acordo com a sociedade, estaremos abrindo o cânon e, com isso, perdendo a revelação de Deus", sentencia. Partindo dessa premissa, a denominação presidida por Guilhermino não aceita mulheres para ocupar os cargos de pastores, diáconos e presbíteros. Ainda assim, o pastor lembra que a decisão depende da posição dos organismos denominacionais, como os concílios, presbitérios, sínodos e o Supremo Concílio. Curiosamente, a presidência da Aliança Mundial das Igrejas Presbiterianas está justamente nas mãos de uma mulher, a professora Jane Dempsey Douglas, à frente de um rebanho de 70 milhões de ovelhas.

No entanto, até mesmo pastoras consagradas reconhecem na Bíblia uma orientação clara de que a mulher tem que estar sob a bênção de um homem. A pastora Nilda Fontes, 67, mulher do pastor Geremias de Mattos Fontes - ex-governador do Estado do Rio de Janeiro e fundador da Comunidade S8, que se destina à recuperação de drogados, vai ao extremo de só subir nos púlpitos na companhia do marido. "Pastora ou missionária, seja qual for o cargo, a mulher precisa da cobertura espiritual do esposo, pois sozinha ela não tem a capacidade total de transmitir a verdade de Deus", acredita Nilda. Este conceito adotado pelo casal produz resultados curiosos, como, por exemplo, a pregação de sermões em parceria. Neste caso, o texto de Gênesis sobre Adão e Eva é analisado sob outra ótica. "Ali observamos como a mulher tem influência sobre o homem."

QUESTÕES DOMÉSTICAS

As provações pelas quais passam as pastoras não se limitam aos problemas de reconhecimento. Há ainda problemas domésticos tão urgentes quanto os eclesiásticos. Afinal, como equilibrar tantas atividades ministeriais com as tradicionais atribuições de dona da casa? Claudete diz que a única solução para não correr o risco de desestruturar o lar é selecionar os compromissos. "A pastora não pode abrir mão do próprio lar, mesmo com suas obrigações religiosas", afirma.

Semelhante é o caso da pastora Gisela Guth, de Cuiabá (MT). Ela conta que, antes de se converter ao Evangelho, sua família estava totalmente dividida. O próprio marido, que hoje é pastor, na época estava fora de casa. Após sucessivos milagres de Deus, a pastora viu o lar sendo restaurado. Porém, ao entregar-se literalmente de corpo e alma à igreja, quase provocou um desastre. "Houve um tempo em que só me dedicava à igreja e à oração, e por pouco não tive graves problemas com os meus filhos como fruto da minha ausência no lar."

Neste ponto, tanto católicos quanto protestantes dão as mãos. Dom Estêvão Bittencourt, teólogo do mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, acha que cabe à mulher um papel fundamental no lar como responsável pela educação e formação da personalidade dos futuros cidadãos. O teólogo católico critica o que considera uma tendência da sociedade atual, à qual chama "nivelamento". "Essa tendência unissex é um absurdo. Cada sexo tem suas aptidões intelectuais e psicológicas", diz. No que concerne aos fiéis católicos, Dom Estêvão não tem muito com que se preocupar. Em recente pesquisa realizada pelo Fantástico, exibido pela Rede Globo, apenas 11% dos telespectadores consultados eram à favor da ordenação de mulheres ao sacerdócio.

Mesmo que timidamente, o apoio de pastores à ordenação de mulheres que se sentem vocacionadas para o ministério aumenta gradativamente, talvez por influência de denominações em que a experiência funciona. Um exemplo é o das igrejas da Comunidade Sara Nossa Terra, que há 15 anos ordena pastoras. Para quem vê de fora, essa simpatia pelo sacerdócio feminino, pode rescender a nepotismo: cerca de 80% das mulheres dos 380 pastores da denominação foram ordenadas pelos maridos. "O casal à frente do ministério passa uma idéia de unidade, e para a igreja é emocionalmente melhor", justifica a pastora Ana Maria de Brito Almeida, 43 anos. Com experiência na área de terapia familiar, ela acredita que faz bem aos casais a parceria ministerial. É ela quem responde pela filial da igreja da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na ausência do marido.

Ana conta um caso curioso em que a submissão de esposa confundiu-se com a autoridade de pastora. Casada com o bispo Francisco Almeida, vice-líder da igreja no Brasil, ela antecipou-se ao marido durante uma oração. "Ele ficou muito constrangido quando eu me apressei e tomei à frente na oração", lembra. Ao chegar em casa, o casal conversou e tudo se resolveu. Para o bispo Francisco, embora o chamado tenha que ser divino, a ordenação das mulheres de pastores resolve um problema entre o casal: a frustração das esposas. "Ao ordenar mulheres, estamos evitando problemas conjugais futuros, pois geralmente as esposas apóiam os ministérios, mas não são reconhecidas pela igreja", argumenta.

TRAUMA

Que o diga a episcopisa Sônia Hernandes. Antes de se tornar pastora, há 11 anos, ela amargava um posto que considerava abominável. "O pastor era visto como uma pessoa brilhante, e sua mulher, uma chata", reclama. Filha, neta e bisneta de pastores, Sônia conta que seu trauma começou mesmo antes do seu casamento com o apóstolo Estevan Hernandes. Quando ele deu o primeiro sinal de sua vocação para o ministério, Sônia desmanchou o namoro por acreditar que não tinha vocação para esposa de pastor. Mais tarde, já casada, estudou num seminário da própria igreja, sendo ordenada logo a seguir. Ela explica que sua denominação prioriza o ministério do casal. "Não entendemos a distinção entre homens e mulheres, e sim entre servos e servas", explica.

A parceria pastoral tem, entretanto, ferrenhos adversários. Um dos mais conhecidos líderes evangélicos do país neste século, o pastor Enéas Tognini, fundador da Convenção Batista Nacional - vertente pentecostal da denominação-, é absolutamente contra a ordenação de mulheres. O pastor baseia sua teoria no fato de que, segundo ele, as mulheres não precisam do título para exercer suas funções na igreja. "Há um campo vasto para que elas trabalhem na obra de Deus sem a necessidade de cargos eclesiásticos", argumenta. Como exemplo ele cita o caso da pastora Valnice Milhomens, cujo ministério admira, ressaltando, no entanto, que muitas portas se fecharam para ela depois de sua ordenação.

Algumas denominações preferem uma tática mais cautelosa. Paulo Leite, pastor presidente da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, afirma que a igreja pretende organizar, até o final de 1998, um simpósio para estudar o assunto. Por enquanto, nada de pastoras em seus quadros. A Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil (Omeb), que congrega 13,5 mil pastores de todas as denominações, prefere não se posicionar. O presidente da entidade, o pastor presbiteriano Isaías de Souza Maciel, se declara a favor da ordenação de pastoras, mas faz restrições. "Onde há a abundância de pastores, não vejo necessidade", diz Maciel, que prefere dar às mulheres vocacionadas o título de missionárias.

Na opinião do pastor J. Cabral, teólogo da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) - que congrega 75% de mulheres entre os 7 milhões de fiéis -, a cultura brasileira ainda não está pronta para aceitar pastoras. "O homem latino não gosta de ser comandado por mulheres", explica. O pastor acrescenta que a denominação não faz restrição teológica ao sacerdócio feminino e faz uma declaração que avaliza qualquer pretensão das fiéis que se julgam vocacionadas: ele credita o crescimento da IURD ao trabalho evangelístico das obreiras. Talvez por isso, três delas foram ordenadas à revelia. Cabral, porém, prefere manter os nomes em sigilo.

Ao mesmo tempo em que suscita discussões acaloradas entre algumas denominações, em outras ele não causa o menor furor. Entre estas figuram as Igrejas Evangélicas de Confissão Luterana. Desde que ordenou a primeira pastora, no início da década de 70, a denominação encara com naturalidade o pastorado feminino. No último concílio mundial da igreja, em Hong Kong, a questão da igualdade entre os sexos foi tema recorrente. Não era para menos: cerca de 49% dos delegados com direito a voto eram mulheres.

No Brasil, existem 84 pastoras luteranas entre os 640 ministros da igreja. Essas líderes são preparadas com todo o zelo. Com mestrado e doutorado em Teologia nos Estados Unidos, a pastora Wanda Deifelt, 34, vice-reitora da Escola Superior de Teologia, em São Leopoldo (RS), é uma das responsáveis pela formação dos futuros ministros. Ela explica que, independentemente do sexo, qualquer candidato deve passar pelo menos cinco anos e meio em estudos teológicos. Mesmo sendo uma das mais bem preparadas pastoras do país, Wanda não escapou do preconceito. "Alguns colegas diziam que não era biblicamente correto a mulher pastora, mas preferi responder ao chamado de Deus a dar ouvidos às restrições humanas", conta.

A entidade que congrega as igrejas batistas no país - Convenção Batista Brasileira (CBB) - já vem debatendo a questão há cerca de três anos em suas reuniões. Este ano, em assembléia geral, resolveu autorizar algumas missionárias a celebrar a cerimônia da ceia, bem como os batismos. Assim mesmo, somente em lugares menos favorecidos, onde não existam pastores. O secretário geral do Conselho da CBB, pastor Saloví Bernardo, porém, esclarece que as igrejas têm liberdade, e a decisão da assembléia funciona mais como uma orientação. "Para este ano, programamos alguns debates que formem opiniões mais racionais e menos apaixonadas", revela.

Em julho passado, a Convenção Batista Carioca realizou uma discussão aberta sobre o tema. Um dos participantes, o atual presidente da Convenção Brasileira, pastor Darci Dusilek, agradou a maioria dos presentes quando, antecipando-se à Convenção, declarou-se a favor da ordenação das mulheres. Líder da Igreja de Itacuruçá, no Rio de Janeiro, Dusilek afirmou estar apenas esperando que uma de suas alunas no curso de Teologia do Seminário Batista se forme para ordená-la. "Vejo nela vocação para o pastorado", declarou na ocasião. Nos seminários, o ensino é democrático. "Todos são preparados da mesma forma, estudando as mesmas disciplinas", afirma o pastor Luis Roberto dos Santos, diretor acadêmico do maior centro de preparação de pastores da denominação no país, o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. A escola já teve alunas que mudaram de denominação para exercer a função pastoral. Criado inicialmente para atender à demanda de mulheres que buscavam preparo ministerial, o Instituto Bíblico Betel da Paraíba (PB), fundado há 30 anos e aberto aos homens há 15, tem currículos iguais para ambos os sexos, mas salas diferentes. "As mulheres gostam de estudar separadas", explica, Lidia de Almeida, 67, fundadora e presidente da instituição que já formou mais de mil mulheres de 40 denominações.

DÉBORA, PASTORA SEM TÍTULO

Conta a Bíblia que, após a morte de Josué, sucessor de Moisés, o povo de Israel ficou sem governante e se dispersou. A decadência moral e religiosa que se instalou os conduziu mais uma vez à escravidão. Imersa num mar de opressão, a nação reencontrou seu Deus – e, com ele, a esperança de dias melhores – através de uma mulher. Profetiza e juíza, Débora foi quem, naquela época, guiou o povo de Israel num dos períodos mais difíceis de sua história. Através de sua orientação, a nação escapou ao fio da espada de Sísera, comandante do exército de Jabim, rei de Canaã.

Apesar de ser a única referência de liderança feminina na Bíblia, Débora não é a única que se destaca nos textos das Sagradas Escrituras. Grandes conquistas, como a derrubada da cidade de Jericó, foram possíveis graças à força do sexo frágil. Raabe, a prostituta, acolheu os espias de Israel e, além de ajudar a entregar a cidade aos hebreus, entrou para a genealogia de Jesus como mãe de Boaz, cinco gerações antes do rei Davi.

A mais lembrada de todas as mulheres, no entanto, foi Maria. Camponesa, originária de uma família humilde da cidade de Nazaré, na Galiléia, Maria estava noiva de José, o carpinteiro, quando foi escolhida por Deus para ser a mãe do Salvador da humanidade. Maria não somente entrou para a História, como a fez acontecer.



FONTES:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttextpid=S0104-026X20050002000
 
http://www.icp.com.br/72entrevista.as

http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3208&secao=329

http://www.ibmontesinai.org.br/sites/index.php/religioes/igrejas-cristas-historicas/igreja-luterana

http://www.msevangelico.com.br/estudo.php?ID=136

O QUE É TIPOLOGIA BÍBLICA?







Muitos pregadores tem se utilizado da tipologia bíblica nos cultos, para falar de Jesus Cristo, da Igreja e outras questões. O problema é que as pregações acabam sendo incompreendidas por grande parte dos ouvintes, pois os “tipos” e os “antítipos” bíblicos são normalmente, ensinados em curso de teologia, e não na igreja. Também desses pregadores, são poucos que se utilizam corretamente da tipologia, por causa de um conhecimento errôneo.

O Dr. Richard M. Davidson, em seu artigo “The Nature[and Identity] of Biblical Tipology – Crucial Issues”, afirma que muitos autores que lidam com a tipologia acabam propondo sua própria lista de tipos bíblicos e suas próprias conclusões a respeito dos símbolos e tipos. Conclusões que saíram meramente de fundamentos especulativos e de suas imaginações.

Esse conhecimento errôneo, dos pregadores, os levam a considerar a tipologia como uma mera analogia. Entram nos fundamentos especulativos que, como os autores falados pelo Dr. Richard, acabam os afastando assim da base bíblica, apresentada na “Visão Tradicional”, e entram em uma “Visão da Neo-Tipologia”.

Para entender o assunto temos que pegar a base bíblica da mesma, e para isso duas palavras se destaca a palavra “tipo” (gr. Tupoi) e a “antítipo” (gr. Antitupa). A primeira, que da a base desse estudo e é muito falada nas pregações, de um modo simples é a representação de algo ou alguma coisa, sendo que o “objeto” representado é o antítipo, e o que o representa, o tipo.

Paulo, em Colossenses 2.17, fala que os princípios do antigo testamento, como o comer, o beber, as festas e o sábado, “são sombras das coisas futuras”, ou seja, representações de coisas que ainda virão, mostrando com isso que a sobra é o “tipo” e as coisas futuras o “antítipo”. É importante se destacar que nem toda representação é um “tipo”, mas todo “tipo” bíblico vem de uma representação.

Existe todo um princípio com base bíblica para saber diferenciar os “tipos bíblicos”, em comparação as analogias humanas – que é uma representação aparente e superficial de passagens bíblicas – utilizadas por pregadores. Desse princípio encontramos cinco elementos que possibilitam a compreensão da tipologia.

1 - Elemento Histórico
A tipologia bíblica está arraigada na história, tendo assim uma preocupação com o sentido histórico literal. São três aspectos que estão presentes e são cruciais no elemento histórico, são eles:

I) Historicidade
Os tipos do Antigo Testamento e os antítipos do Novo Testamento são realidades históricas e podem consistir de pessoas (Ex.: Adão em Rm 5.14), eventos (Ex.: Êxodo em 1Co 10.1-6; Dilúvio em 1Pe 3.20,21) ou instituições (Ex.: Santuário em Hb 8 e 9). A historicidade do tipo e antítipo é considerada essencial pelos escritores bíblicos, como Paulo, Pedro e outros.

II) Correspondência Histórica
Os autores do Novo Testamento mostram a correspondência histórica entre o tipo e o antítipo. Assim Adão tipifica Cristo (Rm 5.14); os eventos do Êxodo acontecem como tipos que correspondem a experiências do cristão (1 Co 10.1-6); o antítipo do Dilúvio é o batismo nas águas (1 Pe 3.20,21); e o Santuário do antigo concerto, com seus sacrifícios e sacerdócio, é uma cópia e sombra do novo conserto (Hb 8 e 9).

Essa Correspondência se estende até mesmo a detalhes presentes no tipo, sendo eles símbolos da salvação, no caso do Santuário os sacrifícios são tipo, do sacrifício de Jesus na cruz (Hb 13.11-13) e o sacerdócio também presente na antiga aliança era sombra do Sacerdócio perpétuo de Jesus (Hb 7.22-28) que veio “para expiar os pecados do povo” (Hb 2.17) e está como sumo sacerdote “assentado nos céus à destra do trono da Majestade” (Hb 8.1).

III) Intensificação
O tipo e o antítipo nunca estão no mesmo plano, pois no antítipo, invariavelmente envolve ou uma redução absoluta, ou uma intensificação do tipo. Por exemplo, a comida, e bebida de Israel no deserto são intensificadas para se tornarem a antítipica Santa Ceia do Senhor (1 Co 10), vemos também que os inadequados e temporários sacrifícios são reduzidos a um único e suficiente sacrifício que é o sangue de Jesus derramado na cruz (Hb 2).

2 - Elemento Escatológico
Os elementos escatológicos auxiliam numa melhor compreensão quanto a alguns dos aspectos do elemento histórico, que são a correspondência histórica e a intensificação. As pessoas, eventos e instituições, em seu cumprimento assumem um aspecto escatológico presente no Novo Testamento. São três tempos no aspecto escatológico:

I) “Inaugurado” – Tempo entre a primeira vinda de Cristo e a sua ressurreição.
Ex.: Adão tipifica Cristo (1Co 15)

II) “Apropriado” – Tempo da Igreja na terra, que termina no arrebatamento
Ex.: Êxodo é tipo da igreja cristã (1Co 10)

III) “Consumado” – Tempo entre a segunda vinda de Cristo até os dias apocalípticos, de Deus.
Ex.: O Dilúvio de Noé tipifica a segunda vinda de Cristo (Mt 24.38-39)

3 - Elemento Cristológico-Soterológico¹
¹ Vem da palavra Soteriologia, que no curso de teologia, é o estudo da Salvação vinda por Jesus Cristo.

Aponta o foco e verdade essencial da tipologia, pois os tipos bíblicos são “realidades salvíficas”, e encontram o seu cumprimento último na pessoa e obra de Cristo ou nas realidades do Evangelho, provocadas por Cristo. Existe com isso duas formas de interação da realidade histórica, a primeira com a
pessoa de Cristo (Ex.: Adão em relação a Jesus), e a outra com o contexto do novo conserto, efetivado por Cristo (Ex.: O Dilúvio em relação ao batismo).

4 - Elemento Eclesiológico²
² Vem da palavra grega Ecclesia que significa Igreja, ou seja, são elementos ligado a igreja Cristã.

O elemento eclesiológico da tipologia bíblica inclui três possíveis aspectos relacionados com os recipientes da obra e salvação de Cristo, em 1Coríntos 10 estão presentes todos eles. O primeiro dos aspectos está o adorador individual (vs. 5-10), em segundo a comunidade incorporada do conserto (vs. 6-11), e por último os sacramentos da igreja (vs. 2-4).

5 - Elemento Profético
O Elemento profético também inclui três aspectos:

I) Os Tipos Apontam Adiante
Os tipos são apresentações ou prefigurações da realidade do antítipo correspondente, por exemplo em 1 Coríntos 10 fala que a experiência de Israel, no período do Êxodo, tipifica e prefigura a experiência da Igreja Cristã (vs 6-11). Igualmente em Hebreus 8 e 9, o Santuário Terrestre é retratado como uma cópia e sombra do santuário Celeste.

II) Há um Designo Divino
Na relação tipológica há um desígnio divino na qual as realidades e historicidade do tipo são direcionadas por Deus, até mesmo em detalhes específicos, para prefigurar as realidades do antítipo. Este designo está implícito, em todas as passagens do tipo, sendo especialmente claro com respeito a tipologia vertical (Santuário) como descrito em Hebreus 8.5,6.

Pessoas e principalmente os pregadores pouco conhecem que a tipologia tem base de um designo divino, e com isso acabam a considerando como meras analogias humanas. Caso a compreensão fosse racionalista, ou neo-tipológica, essa base é retirada, e assim poderia afirmar que os tipos bíblicos seriam infinitos e ilimitados.

III) Envolvem Qualidade
As prefigurações envolvem uma qualidade que lhe dá a força de anúncios preditivos com seu cumprimento no seu antítipo. Isto é visto em Hebreus 8 e 9. Da mesma maneira que o sumo sacerdote terrestre oferecia ofertas e sacrifícios, assim “é necessário” no santuário celeste o sumo sacerdote (Jesus), tenha algo a oferecer – que no caso foi a si mesmo.

Com base desses cinco elementos que formam a tipologia bíblica, percebe-se que ela é um estudo de realidades históricas que representam e tipificam a salvação, as quais Deus especificamente designou. Designo este feito para corresponder preditivamente aos aspectos de seus cumprimentos antítipicos intensificados na história da salvação.

Pedro e Paulo em seus sermões, presente no livro de Atos dos Apóstolos, mostram que dentro de passagem do Antigo Testamento, existiam evidências que prediziam, tipologicamente, a ressurreição de Jesus (At 2.25-31;13.31-37). Grande parte dos tipos bíblicos são encontrados no Antigo Testamento, e o seu antítipo está no Novo Testamento.