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sexta-feira, 18 de abril de 2014

O VERDADEIRO SENTIDO DA PÁSCOA



INTRODUÇÃO – É de origem grega, que, por sua vez, foi tirado do verbo hebraico Pessach- פסחא que quer dizer: “Passar além; passar por cima”. No hebraico, a palavra descreve a passagem do anjo da morte, quando seriam mortos todos os primogênitos do Egito e poupados os israelitas.

I – A PÁSCOA PARA ISRAEL 

a) INSTITUIÇÃO – Foi instituída no Egito para comemorar o acontecimento culminante da redenção de Israel – Êxodo 12.14 

b) ELEMENTOS DA PÁSCOA

O Cordeiro - Representava o preço da redenção e libertação de Israel do Egito.

Os Pães Ázimos – Revelava a pressa com que abandonariam a terra do Egito. A farinha amassada sem ter recebido o fermento, por falta de tempo.

As Ervas Amargas – ou alface agreste, recordavam a opressão do Egito, a amargura do cativeiro, além de dar melhor sabor à carne adocicada do cordeiro.

O Sangue – Representava a expiação. 

c) RITUAL DA CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA

  • Deveriam tomar para si o cordeiro. Êxodo 12.3
  • A família deveria participar e comer todo o cordeiro. Caso a família fosse pequena, deveria juntar-se à outra vizinha. Êxodo 12.4
  • O cordeiro seria sem mácula: um macho de um ano de idade e primogênito.
  • Deveria ser assado inteiro e comido com pães ázimos e ervas amargas. Ex. 12.8 


d) SIMBOLISMO NEOTESTAMENTÁRIO

O Cordeiro – Simboliza Cristo, a libertação do pecado. Jo.1.35 – João afirmou: “Eis  o Cordeiro de Deus...”


  • Era sem defeito – Ex. 12.5; I Pedro 1.18,19
  • Foi sacrificado, no entanto seus ossos não foram quebrados. Ex. 12.46; Sl.34.20; João 19.36
  • O sangue foi derramado para expiação dos pecados: era o penhor da salvação. Ex.12.13; I Jo. 1.7 

Os Pães Ázimos – Simbolizam pureza. O pão deveria ser sem fermento.

  • A proibição baseava-se em que o fermento é um agente de decomposição e servia de símbolo da corrupção moral, e também de doutrinas falsas. Mat.16.11; Mar. 8.15.
  • Na nossa comunhão com Cristo não pode haver impureza.
  • A ausência do fermento simboliza a santidade de vida que requer no serviço de Deus. 

Ervas Amargas – Simbolizava a amargura que o Cordeiro iria passar e a amargura das almas humanas por causa do pecado. Hoje, todas as vezes que celebramos a Ceia do Senhor, relembramos o grande feito da nossa redenção feita, não mais por um cordeiro, não mais por um cativeiro físico, mas pelo próprio Filho de Deus.

“Podemos dizer que o Egito foi o calvário na nação hebraica, como o calvário de Jerusalém foi o nosso calvário.” 

O Sangue – a garantia do perdão – “sem derramamento de sangue não há remissão de pecados” - Heb.9.22. “O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” I Jo.1.7. O pecado do homem foi coberto pelo sangue propiciatório do Cordeiro de Deus.


II – A PÁSCOA NOS NOSSOS DIAS E OS SEUS SÍMBOLOS


  • O coelho – substituíram o cordeiro pelo coelho, como símbolo da fecundidade (chegando até produzir aproximadamente cento e dez filhotes por ano). Apareceu por volta de 1915, na França. A sua cor e a sua rapidez contribuíram para o seu lugar na simbolização. Dizem mais que ele representa a morte e a ressurreição de Cristo pelo fato de que alguns que habitam em lugares frios e nevados hibernam e só saem da caverna quando chega a primavera. Sabemos que não podemos aceitar tamanha aberração, pois em toda a Bíblia encontramos o cordeiro e não o coelho como símbolo de Cristo.
  • O ovo – o ovo significando começo, origem de tudo. Quando incubado, dele sai vida, porque nele está contida a vida. Em Cristo não está contida a vida. Ele é a própria Vida. João 11.25
  • O peixe – é o símbolo do Cristianismo. Dizem que, no passado, os cristãos se reuniam e faziam desenho de um peixe. Na semana santa comem peixe, por causa do corpo de Cristo, e substituíram a carne por peixe, mas na páscoa judaica comiam o cordeiro. Estes símbolos modernos são uma mistura de mitologia pagã com a simbologia cristã paganizada.


Para nós cristãos a Páscoa tem apenas valor histórico e figurativo. O que tem sentido e valor para nós é a Ceia do Senhor, pois Jesus quando comeu a última páscoa com os apóstolos antes do sofrimento, deu um caráter todo especial ao acontecimento – Lucas 22.15 e 20.

A páscoa bíblica, portanto, consumou-se em Cristo, que a instituiu como um novo memorial. A sua ceia, na qual o crente comemora a morte do Senhor até que Ele venha. Não há no Novo Testamento mais lugar para a páscoa ou outras festividades mosaicas, as quais foram abolidas na cruz, juntamente com outras ordenanças, como sombras das coisas futuras, espirituais, pertencentes à Nova Aliança.

CONCLUSÃO – O apóstolo Paulo nos adverte em sua I carta a Timóteo 4.1-3. Não nos envolvamos com tais tradições, mas, nós que provamos do novo nascimento, que tornou-se real com o sacrifício do Filho de Deus, o verdadeiro Cordeiro Pascal, recordemo-nos do Calvário constantemente independente de uma data fixada no calendário anual. Temos em nós esse Cristo ressurreto. ALELUIA!

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada
MESQUITA, Antônio Neves. Estudo do livro de Êxodo. 5ª ed. SP: Juerp, 1987.
Pentateuco – Oliveira, F. Raimundo
FREITAS, B. Isaías – Pequeno Dicionário Enciclopédico – Koogan Larousse
Pequena Enciclopédia Bíblica
http://www.academiacrista.com.br/acbv/artigos-acbv/124-o-verdadeiro-sentido-da-pascoa

quarta-feira, 16 de abril de 2014

AS MULHERES NO HEROÍSMO DO PESSACH (PÁSCOA JUDAICA)


Por Rabino Jonathan Sacks,
Rabino-chefe da Inglaterra

A história de Pêssach é uma das mais conhecidas. Tem sido contada por mais de três mil anos. O que mais me fascina, entretanto, é um aspecto poucas vezes mencionado. Pergunte a qualquer pessoa, judeu ou não-judeu, quem é o herói humano do Êxodo, e a resposta certamente será: Moshê, o libertador, profeta e lutador pela justiça.

Porém a Torá conta uma história mais complexa e inesperada. Juntamente com Moshê - tornando sua missão, até mesmo sua vida, possíveis - estão outras seis figuras, todas mulheres. Estranho como possa parecer, os heróis do êxodo são heroínas.

Quem foram elas? 

A primeira foi Yocheved, esposa de Amram, e mãe das três pessoas que tornar-se-iam os grandes líderes dos israelitas, Miriam, Aharon e o próprio Moshê. Foi Yocheved que, no auge da perseguição egípcia, teve a coragem de ter um filho, escondê-lo por três meses, e então arquitetar um plano para dar-lhe uma chance de ser resgatado. Sabemos muito pouco sobre Yocheved. Em sua primeira aparição na Torá, não é nomeada. Mesmo assim, lendo a narrativa, não temos dúvidas sobre sua bravura e presença de espírito. Não foi por acaso que seus filhos tornaram-se todos líderes.

A segunda foi Miriam, filha de Yocheved e irmã de Moshê. Foi ela quem vigiou o bebê enquanto o cestinho flutuava rio abaixo, e quem se aproximou da filha do faraó com a sugestão de que ele fosse amamentado em meio a seu próprio povo. Uma vez mais o texto bíblico pinta um retrato da jovem Miriam como uma figura de invulgar coragem e presença de espírito. A tradição rabínica vai mais além. Em um notável midrash, lemos como a jovem Miriam enfrentou o pai, Amram, e persuadiu-o a mudar de idéia. Informado sobre o decreto dizendo que cada bebê judeu do sexo masculino seria afogado no rio, Amram conclamou os israelitas a divorciarem-se, para que não mais houvessem crianças. Havia uma certa lógica nisso. Seria certo trazer crianças ao mundo, se havia 50% de chance de que fossem assassinadas logo ao nascer?

Mesmo assim Miriam, diz a tradição, queixou-se a ele: "Seu decreto," disse ela, "é pior que o do faraó". O dele afeta apenas os meninos; o seu afeta a todos os bebês. O decreto dele priva as crianças da vida neste mundo; o seu os privará da vida até no mundo vindouro. Amram cedeu, e como resultado, nasceu Moshê. A implicação da história é clara - Miriam tinha mais fé que seu pai.

A terceira, e de certo modo a mais intrigante, é a filha do faraó, que a tradição chama de Batya. Foi ela quem teve a coragem de resgatar uma criança israelita e criá-la como sua, no próprio palácio onde seu pai tramava a destruição do povo judeu. Podemos imaginar uma filha de Hitler, Eichmann ou Stalin fazendo o mesmo?
Existe algo ao mesmo tempo heróico e gracioso sobre esta figura apenas esboçada, a mulher que deu nome a Moshê.

A quarta faz sua aparição mais tarde na narrativa. Tsipóra, a mulher de Moshê. Filha de um sacerdote medianita, mesmo assim está determinada a acompanhar Moshê em sua missão no Egito, apesar de não ter razão alguma para colocar em risco sua vida em uma aventura tão delicada. Em uma passagem profundamente enigmática, é ela quem salva a vida de Moshê ao realizar a circuncisão em seu filho. Temos sobre ela a impressão de ser uma figura de tremenda determinação que, no momento crucial, entendeu melhor que o próprio Moshê a vontade de D'us.

Deixei para o final as figuras que aparecem primeiro, porque são elas que mais fizeram para alargar os horizontes morais da humanidade. Refiro-me às duas parteiras, Shifrá e Puá, que frustraram a primeira tentativa do faraó de cometer genocídio. Instruídas a matar as crianças israelitas na hora do nascimento, elas temeram a D'us e não fizeram aquilo que o rei do Egito lhes ordenara fazer; deixaram os meninos viverem.

Intimadas e acusadas de desobediência, enganaram o faraó inventando uma engenhosa história: as mulheres judias, disseram elas, são fortes, e deram à luz antes que chegássemos. Escaparam do castigo e salvaram vidas.

A importância desta história é que trata-se do primeiro exemplo que conheço de uma das maiores contribuições do Judaísmo à civilização; a idéia de que há limites morais para o poder. Existem instruções que não devem ser obedecidas. São crimes contra a humanidade, que não podem ser desculpados sob a alegação de que "eu estava apenas cumprindo ordens.

Este conceito, geralmente conhecido como "desobediência civil", é comumente atribuído ao escritor americano do século XIX Henry David Thoreau, e penetrou na consciência internacional após o Holocausto e os Julgamentos de Nuremberg. Sua verdadeira origem, entretanto, remonta a milhares de anos antes, nas ações de duas mulheres, Shifrá e Puá. Com sua coragem não declarada, mereceram um incomparável tributo entre os heróis da vida moral. Elas nos ensinaram a primazia da consciência sobre o conformismo, da lei da justiça sobre a lei do país.

Neste Pêssach, contemos a história das mulheres cuja fé, coragem e recursos morais tornaram possível o êxodo. "Foi por causa de mulheres justas," disseram os sábios, "que nossos ancestrais foram redimidos do Egito." Sua memória ainda tem o poder de trazer-nos inspiração.

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A IMPORTÂNCIA DO HEBRAICO BÍBLICO


Por Luiz Sayão

Quase todos sabem que a Palavra de Deus surgiu no contexto histórico do povo judeu. A verdade é que cerca de três quartos da Bíblia Sagrada foi escrita originariamente em hebraico. E apesar de quase todo restante ter sido escrito em grego, o raciocínio subjacente à maioria dos documentos do Novo Testamento é claramente hebraico. Portanto, se há uma língua importante para os estudos bíblicos mais profundos, sem dúvida alguma, trata-se do hebraico.

Diante disso, temos de reconhecer que existe motivo de sobra para que o cristão  de hoje procure conhecer o hebraico bíblico. Vamos relacionar as razões mais importantes:

1. Conhecer o hebraico é lidar com o sagrado. Esse conhecimento permite-nos falar as mesmas palavras e frases que os antigos profetas e homens de Deus falaram. A língua possui uma sonoridade bonita, exótica e diferente. Sinta o som do primeiro versículo bíblico: Bereshit bará elohim et hashamaim veet haarets. O hebraico é a língua antiga mais preservada que existe. Se Isaías ressuscitasse hoje teria condições de comunicar-se e de pedir um almoço em um restaurante de Jerusalém.

2. Conhecer o hebraico é uma emocionante viagem ao desconhecido. As letras são bastante diferentes e parecem pequenas obras de arte, as consoantes são mais importantes do que as vogais, a língua é escrita da direita para a esquerda (sentido oposto ao do português) e as palavras são totalmente diferentes das que conhecemos. Todavia, por incrível que pareça há termos parecidos: a conjunção ou em hebraico é `o (ô).

3. Conhecer o hebraico significa conhecer uma cultura muito diferente. As línguas humanas não possuem apenas palavras diferentes para as mesmas coisas. Elas são uma expressão da cultura e do modo de ser de um povo. No hebraico não existe gênero neutro como é o caso do inglês. Tudo é dividido entre masculino e feminino; existe, por exemplo, o pronome você (masculino) e você (feminino). Idéias abstratas são muito raras. A expressão bíblica "fazer uma aliança", por exemplo, é literalmente "cortar uma aliança" em hebraico. É por isso que é impossível fazer uma tradução totalmente literal da Bíblia.

4. Conhecer o hebraico é aprender a pensar de modo diferente. O hebraico também é muito diferente do português e do inglês por possuir um jeito e uma ordem de frase distintos. A gramática é peculiar. Uma característica interessante da língua é o seu aspecto conciso. A antiga língua dos hebreus usava poucas palavras para dizer muito. Os verbos de ligação são dispensados, os pronomes pessoais estão embutidos na maioria das formas verbais e algumas preposições e sufixos de posse aparecem anexadas aos substantivos. Outra questão que merece atenção é o verbo do hebraico. Estamos muito acostumados com a idéia de tempo verbal em português. Para muitos é surpreendente descobrir que o que caracteriza o verbo no hebraico não é principalmente o tempo do verbo, mas sim o modo da ação. O que mais importa é se a ação é acabada ou não. Em muitas passagens bíblicas somente o contexto determinará se o verbo deve ser traduzido no futuro, no presente ou no passado. Um exemplo dessa diferença pode ser visto no Salmo 15.2. Veja a tradução literal comparada com uma boa tradução (NVI):

Andante integramente e praticante (da) justiça
E falante (da) verdade no seu coração

Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo,
que de coração fala a verdade.

5. Conhecer o hebraico significa entender corretamente as palavras teológicas da Bíblia. Esse conhecimento é muito importante para que não sejam ensinados conceitos errados nas igrejas evangélicas. Os vocábulos hebraicos muitas vezes não possuem correspondentes adequados em português. O campo semântico das palavras é muito particular e até mesmo estranho para nós. É por essa razão que uma tradução totalmente literal da Bíblia não teria sentido em português. Uma das palavras muito importantes do Antigo Testamento, por exemplo, é o termo Sheol, traduzido por Hades no grego do Novo Testamento. A tradução uniforme do termo não é adequada. Sheol refere-se de fato ao "mundo dos mortos", e, em muitos contextos, refere-se concretamente à sepultura, em outros textos a idéia é profundezas; há contextos poéticos onde o sentido é morte; mas em muitos textos a idéia é mundo dos mortos (no NT Hades pode significar inferno em certos textos). Quem poderia imaginar, sem o devido estudo, que a palavra Shalom, tão conhecida, significa muito mais do que paz. Shalom quer dizer também prosperidade, vida plena, segurança. Em português essas associações não são claras. Quando um judeu cumprimenta o outro, ele pergunta: "Como vai a tua paz?" Paz, portanto, não é um termo simplesmente psicológico e emotivo, mas sim um termo concreto em relação à vida.

Diante de tais fatos, não há dúvida de que a igreja evangélica de hoje deve dar a devida atenção ao estudo do hebraico. Especialmente em nossos dias quando muitos conceitos equivocados são disseminados por quem conhece pouco do assunto, é mais do que necessário ampliar o conhecimento do povo de Deus no campo das línguas originais da Bíblia.

Fonte: http://www.prazerdapalavra.com.br/colunistas/luiz-sayao/2876-a-importancia-do-hebraico-biblico-luiz-sayao


terça-feira, 15 de abril de 2014

Arqueólogos encontram a Casa de Abraão


Um raro complexo, cuja estrutura data de 4 mil anos, localizada perto da antiga cidade de Ur, no sul do Iraque, e do local do Zigurate parcialmente reconstruído (o templo sumério), foi descoberta por dois arqueólogos britânicos, que acreditam se tratar da casa de Abraão, e ou  provavelmente usada por ele, como um centro administrativo, antes do deslocamento para Qana (Canaã).  Abraão começou uma linhagem que inclui as figuras significativas da Bíblia e da Torah, e se tornou a base para as religiões abraâmicas, como o judaísmo, cristianismo e islamismo.

O líder da escavação, Stuart Campbell, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Manchester, disse que o achado é deslumbrante e muito grande, quase do tamanho de um campo de futebol, ou seja, com cerca de 80 metros, e que parece um tipo de edifício público ou administrativo, ou com ligações religiosas ou de controle sobre a cidade de Ur. 

O enorme, raro e antigo complexo de salas que circulam um pátio, situa-se há 20 km de Ur, que é a última capital das dinastias reais sumérias, a primeira civilização da humanidade, que surgiu há 5 mil anos, que na sequência originou os babilônios. Campbell iniciou as escavações no último mês, com uma equipe britânica de seis arqueólogos que haviam trabalhado com quatro arqueólogos iraquianos, em Tell Khaibar, sul da província de Thi Qar, há 320 km de Bagdá.

Um dos artefatos descobertos, trata-se de uma placa de argila de 9 centímetros, com a imagem de um adorador vestindo um longo manto de franjas, aproximando-se de um local sagrado. Através do complexo descoberto, dos artefatos, e da análise de restos de plantas e animais encontrados, a equipe de arqueólogos poderá descobrir as condições ambientais e econômicas da região. Eles acreditam que a área era pantanosa, e que o comércio marítimo era possível na região, em virtude da cabeça do Golfo estar situada mais ao norte.

Fotos obtidas com base em imagens de um satélite, sobre o levantamento da cidade, revelaram a presença de uma construção considerável, provavelmente, relacionada a um edifício administrativo para estudo. Os arqueólogos, provisoriamente, dataram o sítio com idade entre 2 a 4 mil anos A.C, época do saque da cidade, e da queda da dinastia real suméria, afirmou Campbell.

O Iraque enfrenta um grande problema em preservar seu patrimônio arqueológico, seus 12 mil sítios arqueológicos registrados, estão muito mal guardados, e em virtude de guerras e violências no país, que possui diversos sítios arqueológicos importantes e ainda inexplorados, muitos arqueólogos internacionais estiveram fora do Iraque. 

Esta é a primeira vez que uma equipe britânica lidera escavações no sul do Iraque, desde os anos 80. Campbell e sua equipe, em parceria com Robert Killick, um arqueólogo independente, e a Dra Jane Moon, da Universidade de Manchester, são os pioneiros desde então. As escavações puderam mostrar que as missões de colaboração, só foram possíveis em algumas regiões estáveis do Iraque, como o sul, que é dominado pelos xiitas. 


Na imagem, uma placa de argila encontrada nas escavações do complexo 
que teria sido a casa de Abraão na cidade de Ur.

Essa deslumbrante descoberta, nos faz sentir que somos privilegiados, pois somos os primeiros a trabalhar neste local importante. A paisagem circundante, agora árida e desolada, foi o local de nascimento de cidades e da civilização cerca de 5 mil anos atrás e a morada dos sumérios e babilônios mais tarde”, disse Campbell, que explicou ainda que os pesquisadores vão usar tecnologia moderna para ajudar a compreender melhor o período.

Por décadas, locais culturalmente ricos, como Ur, jaziam intocados. Alguns sítios foram saqueados, e outros danificados pela guerra. “Por causa da falta de trabalhos arqueológicos na região, qualquer novo conhecimento é importante para os arqueólogos nesta área – e esta descoberta tem o potencial de realmente avançar a nossa compreensão da primeira cidade-estado”, ressaltou.

Notas da National Geographic apontam que Ur provavelmente se originou “em algum momento do quinto milênio aC” e foi descoberto em 1920 e 1930, após uma expedição. Ur também é apontada por muitos estudiosos da Bíblia como sendo o local de nascimento de Abraão.

Fonte
National Geographic e 
http://descobertasarqueologicas.blogspot.com.br/

sábado, 12 de abril de 2014

UM PAPA QUE ERA MULHER




Em plena Idade Média, na noite de 28 de janeiro do ano 814, nascia em uma família de camponeses, na aldeia alemã de Ingelheim, uma menina chamada Joana. Quando adulta, ela seria a única mulher a exercer a função de papa na história da humanidade. Filha de um missionário da Igreja Católica, a menina foi criada sob os rígidos ditames da religião, que naquela época reservava às mulheres poucos direitos e lhes impunha muitas proibições, como a alfabetização. Joana viveu questionando os cânones de seu tempo, aprendeu o latim e o grego antes dos 10 anos de idade e aos 16 adotou a identidade do irmão morto numa batalha. Tudo isso para assumir funções eclesiásticas num monastério beneditino. Tornou-se papa entre 851 e 853 e morreu ao dar à luz uma criança quando tinha 42 anos.

A sua curiosa e desconhecida trajetória já foi levada às telas na década de 1970 em um filme protagonizado pela atriz Liv Ullman. Agora, volta com mais apelo em uma produção alemã dirigida pelo cineasta Sonke Wortmann. O filme baseia-se no livro "Papisa Joana" (Geração Editorial), da escritora inglesa Donna Woolfolk Cross, que acaba de ser lançado no Brasil. A autora construiu um romance sustentado por informações obtidas em arquivos da Igreja e reconstituiu a vida de Joana. Segundo a autora, a história da papisa era considerada uma realidade até o século XVII, quando disputas religiosas teriam levado o Vaticano a ordenar a destruição das provas de sua existência. Um dos registros é um julgamento ocorrido em 1413 em que João Hus, acusado de heresia, cita em sua defesa a falibilidade do papa e para sustentar sua tese menciona o fato de Joana ter sido eleita pontífice mesmo sendo uma mulher.

Além de obras de arte que retratam a papisa, há um outro dado intrigante: João XX teria ordenado uma investigação rigorosa nos documentos eclesiásticos sobre Joana. Isso em 1276. Após a conclusão dos estudos, ele mudou seu nome para João XXI, reconhecendo o papado da religiosa. Na história criada pela autora, Joana é movida por um forte pragmatismo e inteligência. Questiona os dogmas da Igreja e conquista a simpatia de um sábio grego que lhe concede o privilégio de estudar numa instituição de ensino. Apesar de ser constantemente perseguida por colegas e autoridades, ela consegue permanecer um ano na escola até que o ataque de um exército bárbaro ao seu vilarejo extermina a maioria de seus habitantes. Entre as vítimas está seu irmão, identidade que ela assumiu para seguir em frente com os seus objetivos. Joana cortou o cabelo, mudou suas vestes, fingiu ser homem e passou a ser chamada João Ânglico. É com esse nome que se tornou conhecida por seus supostos dons de evitar a transmissão da hanseníase: uma de suas providências, verdadeiro sacrilégio na época, foi fazer com que cada pessoa na missa molhasse na taça de vinho a hóstia com a qual comungaria, abolindo assim o hábito secular em que todos os fiéis bebiam um gole do vinho no mesmo recipiente. A história correu as aldeias, ela passou a ser conhecida em diversas regiões da Europa e em alguns anos tornou-se a médica do próprio papa Leão IV.

É assim que conquista a confiança de seus colegas até ser consagrada por unanimidade a nova pontífice de Roma. Ela traz de seu passado, porém, um amor proibido que reencontra quando já exerce o mais alto cargo da Igreja. Engravida, consegue disfarçar essa condição ao longo de nove meses (aparecendo raramente em público), mas é desmascarada ao dar à luz uma menina na rua, enquanto se dirigia para a Igreja de Latrão, entre o Coliseu de Roma e a Igreja de São Clemente. Joana e a filha morrem no momento do parto - ela encerra assim o seu papado de dois anos, um mês e quatro dias. A dúvida sobre sua existência talvez nunca se desvaneça totalmente, já que se trata de um período histórico marcado pelo terror, pelo obscurantismo e pelas guerras. Sua trajetória foi lembrada pela primeira vez no século XIII pelo escritor Esteban de Borbón, porém sem provas. Em 1886, ela voltou a ser difundida pelo grego Emmanuel Royidios (traduzido para o inglês por Lawrence Durrell). A autora Donna lança mão da criatividade, mas garante que conteve os seus "saltos imaginativos": "Os detalhes do século IX com que compus o cenário do livro, por estranhos e selvagens que pareçam hoje, são todos verdadeiros." 

Fonte:http://www.istoe.com.br/reportagens/15441_UM+PAPA+QUE+ERA+MULHER







sábado, 5 de abril de 2014

COMO EXPLICAR A MENÇÃO DA LUZ EM GÊNESIS 1.3 ?



O Sol não é a única fonte de luz no Universo

COMO EXPLICAR A MENÇÃO DA LUZ EM GÊNESIS 1.3 SE O SOL FORA CRIADO SOMENTE NO QUARTO DIA (GN 1.14)?

E disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Gn 3.1).

Antes de respondermos, é necessário considerarmos a premissa de que a Bíblia é a verdade revelada por inspiração divina, portanto, é infalível, inequívoca e o árbitro final em todas as discussões. Sua autoridade é derivada do seu Autor e não das opiniões dos homens (Rm 15.4; 2Tm 3.15,16; 2Pe 1.21). Tendo em mente estas ponderações, podemos nos direcionar para a solução do suposto problema. 

Primeiramente, precisamos ter em mente que toda a criação se deu de forma repentina e proveniente do nada, ou seja, não derivam de elementos criados já existentes, mas apenas de Deus. É o que os estudiosos denominam de creatio êx nihilo, não sendo assim procedente de uma cadeia evolutiva. Houve um tempo em que a luz não existia, porém, a Bíblia nos afirma que, em determinado tempo, ela veio a existir. O mesmo se deu com todas as coisas criadas por Deus (Sl 33.6-9; Hb 11.3). Mas o que era então essa luz que existia antes do Sol e demais luminares celestes? Dar uma resposta definitiva a esse respeito não é uma tarefa simples, até mesmo para os mais peritos no assunto. Entretanto, podemos inferir algumas conclusões. Há dois posicionamentos principais entre os estudiosos quanto a esta questão. O primeiro destaca a relevância de Deus ter criado a luz antes do Sol. Os defensores desta corrente apontam para a importância de se notar que o nome “sol” fora dado a essa estrela apenas em Gênesis 15.12, o que para estes estudiosos significaria uma resposta antecipada de Deus contra a adoração desse ser inanimado. Muitos povos pagãos da Antiguidade, principalmente os egípcios, adoravam o Sol como uma divindade, porém, antes de sua existência, Deus já existia em toda a sua glória (Sl 90.2; 102.25-27; 1Tm 1.17; 6.16).

Diante disso, entender-se-ia que a luz a que se refere Gênesis 1.4 é a manifestação da glória de Deus em forma de luz (1Jo 1.5, Jo 8:12), antes mesmo da criação dos seres animados e inanimados. Assim, Deus revela ao homem que Ele é superior a tudo quanto existe e se move sobre a terra. Isso também serve para mostrar que as coisas criadas não são divindades, portanto, não são divinas (doutrina conhecida como “panteísmo”), embora a criação atue como prova suficiente e cabal da existência de Deus (Sl 19.1-6; Rm 1.20).

Outro posicionamento, representado pelo apologista Norman Geisler, lembra que “o Sol não é a única fonte de luz no Universo. Além disso, é possível que ele já existisse desde o primeiro dia, tendo somente aparecido ou se feito visível (com a dissipação da neblina) no quarto dia. Vemos luz num dia nublado, mesmo quando não nos é possível ver o Sol”.

Referências bibliográficas:

GEISLER, Normam & HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. Editora Mundo Cristão, 1999.
GEISLER, Normam & RHODES, Ron. Resposta às seitas. CPAD, 2000.
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário teológico. CPAD, 1996.
CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. Editora Candeia, 1997.
Bíblia de Estudo de Genebra. Editora Cultura Cristã, 1999.
Bíblia de Estudo Almeida. SBB, 1999.

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