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quarta-feira, 29 de abril de 2015

A NAVE RUSSA M-27M COMEÇA A CAIR EM DIREÇÃO À TERRA


Nave russa M-27M que seguiria para a Estação Espacial Internacional apresentou problemas (Foto: AFP) 

Nave russa M-27M que seguiria para a Estação
Espacial Internacional apresentou problemas (Foto: AFP)

          Após considerarem como perdida a nave-cargueiro Progress M-27M, lançada terça (28) rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), os operadores de voo russos indicaram à agência de notícias France Presse que o foguete começou a cair em direção à Terra.


 No vídeo acima, publicado no canal do YouTube da agência espacial americana (Nasa), é possível ver imagens feitas por uma das câmeras da Progress que mostram o foguete girando em grande velocidade sobre seu próprio eixo, algo que impossibilita qualquer tentativa de manobra de aproximação e acoplamento à Estação Espacial.


Segundo um funcionário que não quis se identificar, a nave tem "reações totalmente incontroláveis". A localização da queda ainda não foi indicada.


De acordo com a fonte, os controladores de voo russos tentarão agora restabelecer duas vezes a conexão com a nave de carga, mas com poucas possibilidades de sucesso.

"É impossível saber quando cairá exatamente na Terra, depende de muitos fatores. Mas a queda acontecerá em condições incontroláveis", explicou.


De acordo com a Nasa, a equipe russa continua tentando acessar os dados do veículo espacial para determinar um plano de ação. No entanto, eles aguardam mais informações provenientes da Roscosmos, a agência espacial russa.


O que houve?
 
O Centro de Controle de Voos Espaciais (CCVE) da Rússia perdeu o controle da nave, lançada a partir da base de Baikonur, no Cazaquistão, às 3h10 (horário de Brasília), depois de ela se situar em uma órbita equivocada e deixar de enviar à Terra dados de sua telemetria.

A Progress M-27M, que transporta 2,5 toneladas de suprimentos, deveria chegar à plataforma internacional seis horas depois de sua decolagem. Ela carrega combustível, oxigênio, alimentos, equipamentos científicos para os astronautas.


Após a perda, cujo custo é estimado em até US$ 90 milhões, o próximo cargueiro em direção à Estação poderá sair da Terra antes de 8 de agosto, data prevista inicialmente pela agência espacial russa.


De qualquer forma, a tripulação que está na Estação Espacial Internacional tem provisões suficientes para continuar com sua vida no espaço, apesar do incidente com a Progress.

Sua queda

A Roscosmos, Agência Espacial Russa, confirmou que a nave Progress M-27M se desintegrou sobre uma região central do Oceano Pacífico - cálculos indicavam que isso poderia acontecer sobre o Brasil.

A destruição da Progress aconteceu às 23h desta última quinta-feira (7 de maio). 

Ainda não há um relatório final sobre as falhas que impediram que a nave completasse sua operação - levar suprimentos para a Estação Espacial Internacional. Mas a Roscosmos afirma que essas informações serão divulgadas, no mais tardar, no dia 13 de maio.

FONTE: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/04/nave-russa-descontrolada-comeca-cair-em-direcao-terra-diz-agencia.html

domingo, 26 de abril de 2015

QUEM FOI A MULHER DE JÓ?

 http://www.portalaltonia.com.br/files/2012/04/Mulher-de-J%C3%B3.jpg
        Jó foi um homem real, ele viveu na terra de Uz e sua história inicia afirmando que ele era “homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desviava do mal” (Jó 1:1). Em seguida, no versículo 8, o próprio Deus confirma que “ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desviava do mal” (Jó 1:8). Esta afirmação foi feita por Deus a Satanás que colocava em xeque a fidelidade de Jó, ou seja, Satanás ousadamente afirmava para Deus que a fidelidade de Jó estava alicerçada em sua situação privilegiada de homem rico.
 
Como sabemos, Deus permitiu que Satanás tocasse em tudo que Jó possuía “Disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do Senhor” (Jó 1:12). Depois de Satanás tocar em tudo que Jó possuía e o mesmo não blasfemar contra Deus, Satanás mais uma vez tem a ousadia de afrontar Deus dizendo que se tocar nos ossos e na carne certamente ele não resistiria e blasfemaria. Diante de tal ousadia, Deus permite que Satanás tenha pleno poder sobre a vida de Jó, no entanto, Satanás não teve autorização para tocar em sua vida. “Disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está em teu poder; mas poupa-lhe a vida” (Jó 2:6).
 
A partir da permissão de Deus, Satanás iniciou seu ataque feroz contra Jó. Jó era casado, tinha família constituída, tinha filhos e era muito próspero. Em todo o Livro de Jó não é citado o nome de sua fiel companheira. Nem mesmo em toda a Bíblia encontramos a informação de seu nome.

A história de Jó tem como ênfase o seu sofrimento, no entanto, não devemos esquecer do sofrimento de sua companheira. Evidentemente que Jó foi o alvo de Satanás, mas, tanto ele quanto sua esposa perderam num só dia servos, bois, jumentas, ovelhas, camelos, filhos e filhas. Satanás impôs um ataque fulminante contra o casal.

A dor e o sofrimento não foi apenas de Jó mas, também, de sua fiel companheira, uma vez que ela também sentiu no profundo de sua alma o impacto dos ataques de Satanás. Com certeza ela teve um papel muito importante no cenário trágico vivido por seu esposo, apesar dela ter recebido apenas um só versículo em todos os 42 capítulos que compõem o Livro de Jó. “Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2.9).
 
Quando sua esposa lhe disse para amaldiçoar a Deus e morrer (Jó 2.9), Jó continuou sereno e repreendeu-a com carinho, dizendo: “falas como qualquer doida” (Jó 2.10a). Veja que Jó não chamou sua esposa de doida, mas sim, que ela falava com tal. Jó não presenciou insanidade em sua fiel companheira pois, esse não era o comportamento normal dela. Sua atitude foi em decorrência de circunstâncias anormais que ambos estavam vivendo.

Prosseguindo em sua repreensão ele conclui para sua esposa: “temos recebido o bem de Deus, e não receberíamos também o mal?” (Jó 2:10b). Por isso que no final deste mesmo versículo está escrito: “Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios” (Jó 2:10).

Um fato curioso é que no capítulo 42, apenas os três amigos de Jó são repreendidos por Deus (Jó 42:7). Em todo o Livro de Jó não há indício de que Deus repreendeu de forma direta a sua fiel companheira. Mas, o que podemos constatar é que sua esposa foi seu grande apoio durante todo o seu sofrimento e provação. Observe que era ela que preparava o alimento que saciava a fome de Jó mantendo-o vivo fisicamente. Era ela que ajudava na higienização de seu corpo fétido e suportava o seu mau hálito.

Jó não tinha a companhia constante de seus irmãos mas, com certeza ele tinha a companhia de sua dedicada esposa. Com certeza ela sofria profundamente vendo a situação deprimente de seu marido. Talvez sua dor fosse muito maior por não ter condições de fazer algo para amenizar o sofrimento do seu fiel companheiro. A situação de Jó era trágica e insuportável “O meu hálito é intolerável à minha mulher, e pelo mau cheiro sou repugnante aos filhos de minha mãe” (Jó 19:17).

Assim, podemos constatar que sua esposa sofria intensamente. Talvez, ela sofria muito mais do que ele. Logo, diante de tal situação ela certamente se desmoronou e como uma doida (ela não era e nunca foi doida), viu que a solução para o fim do sofrimento intenso do marido fosse a morte. Certamente que esta atitude foi um ato impensável. Diante do infortúnio que se agravava a cada dia, ela não suportou presenciar o definhamento gradual do esposo. O seu pedido foi num momento de indignação, desequilíbrio e insensatez. Com o tempo, o próprio Jó caiu em profunda depressão e não via nenhuma perspectiva de ter a vida restaurada “O meu espírito se vai consumindo, os meus dias se vão apagando, e só tenho perante mim a sepultura”(Jó 17:1).

Nem todos se comportam da mesma forma diante de uma tragédia. Talvez se Satanás tivesse desafiado a Deus sobre a integridade da mulher de Jó, Deus jamais teria permitido que ele estendesse sua mão sobre ela. Por outro lado, Deus permitiu que Satanás estendesse sua mão sobre Jó porque ele sabia que Jó suportaria toda e qualquer provação e jamais blasfemaria contra Deus.

Mesmo quando Jó amaldiçoa o dia do seu nascimento e se contende com Deus, ele não deixa de ser um homem fiel e temente a Deus. Mesmo quando ele lamenta a miséria em que caiu e se queixa do trato de Deus ele não peca contra Deus.

Jó era fiel a Deus e também a sua mulher “Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela?” (Jó 31:1). Nota-se que Jó era um homem integro e fiel também a sua esposa.

A mulher de Jó sofria de forma intensa porque não podia fazer nada para aliviar as dores do marido. Num momento de desespero ela desejou que a morte o separasse dela. Ela foi repreendida pelo esposo e continuou fiel a ele. Tanto que no final quando Deus restaura a prosperidade de Jó (Jó 42:10-13), lemos claramente que tudo que Jó perdeu, com relação aos bens materiais, Deus o restitui em dobro "e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra" (Jó 42:10b). Com relação aos filhos, lemos que Jó "(...) teve outros sete filhos e três filhas" (Jó 42:13). Note que o texto diz que Jó teve "outros sete filhos e três filhas" e não o dobro dos mesmos. Por dedução, podemos dizer que os primeiros dez filhos não foram perdidos mas, Deus os tomou para si.

Em todo o Livro de Jó não encontramos indício de que Deus deu outra esposa para Jó, ou que o mesmo tenha escolhido uma outra. Certamente Jó continuou com sua fiel companheira. Outra curiosidade é que Jó morreu “velho e farto de dias” (Jó 42:17). Por algum motivo, Deus não nos revela como morreu a mulher de Jó.


Fonte: Celso Novaes - http://aprendendoparainformar.blogspot.com.br/2012/03/mulher-de-jo.html

terça-feira, 21 de abril de 2015

ADÃO TINHA UMBIGO?


A origem do ser humano dentro da teologia judaico-cristã  é explicada em Gênesis, quando Deus criou Adão à Sua Imagem e Semelhança, no Dia 6 da criação do mundo. Essa afirmação bastava para se entender a origem do homem. No entanto, conforme novos estudos científicos foram aparecendo, foi necessário analisar melhor esta questão, porém, isto acabou gerando, por sua vez, a famosa e enfadonha controvérsia "criação versus evolução". E assim, de um lado temos criacionistas alegando que o homem foi criado do pó da terra diretamente, e por outro evolucionistas alegando que o mesmo foi fruto de uma evolução.

Esse dilema, porém, pode manter vivo um questionamento que vem sendo feito há séculos: Adão tinha ou não tinha umbigo? Esta questão, levantada por Darwin ao final de seu livro "A Origem das Espécies", pairou sobre a cabeça dos teólogos durante a Idade Média e o Renascimento, no Ocidente, levando inclusive a intensos debates entre os bizantinos...

E por que esta questão existe? Porque o umbigo é a cicatriz resultante da queda natural do cordão umbilical do bebê. O cordão umbilical resultante do parto costuma cair entre uma a duas semanas após o nascimento, formando assim o umbigo no bebê. Ora, como o umbigo é um "rastro" de que o ser uma vez já foi um feto, como considerar essa questão? Adão tinha ou não um umbigo?

No âmbito do criacionismo tradicional, onde se crê que a fornação do pó ao homem foi imediatista e puramente sobrenatural, sem ter havido evolução nenhuma, Adão jamais teria sido feto, pois fora criado já adulto. Por isso, há duas possíveis versões:

1º - Deus, tendo criado Adão já adulto, não teria achado necessário colocar nele  um umbigo, pois ele não havia sido gerado a partir do útero de uma mulher.

2º - Como Deus criou um ser perfeito, mesmo sendo já adulto, Adão foi feito com umbigo, igual aos demais homens e mulheres que ele teria deixado como descendentes.

Já o evolucionismo não acredita na existência do Adão Bíblico. Porém, há evolucionistas teístas e criacionistas progressistas que consideram algum tipo de evolução biológica que teria resultado no Adão da Bíblia. Por esta visão, é certo que Adão tinha um umbigo, pois mesmo que tenha sido o primeiro homem propriamente dito, decorrente da evolução dos hominídeos, ele teria sido gerado dentro do útero de uma progenitora, sendo necessária para a sua gestação a alimentação através do cordão umbilical. Com o corte deste cordão após o nascimento, resultaria o umbigo!

Apesar da existência ou não do umbigo de Adão ser uma discussão cujo resultado é estéril, sabemos que ela gerou algumas controvérsias curiosas durante a Idade Média e o Renascimento, principalmente na arte. Os pintores que retratavam as cenas do Éden se viam frente a uma questão que não se podia ignorar: representar Adão com ou sem umbigo?

Alguns pintores usavam como recurso, para "fugir" da resposta insolúvel, a pintura de folhas grandes na região pélvica de Adão, que além de esconder seus órgãos genitais, tapava também o local onde presumivelmente se localizava o umbigo, mais ou menos como se costuma representar Eva nas pinturas. O teólogo John MacArthur afirma que Michelangelo, ao pintar seu mais famoso afresco na capela Sistina, "A Criação de Adão" (figura do topo da página), teria dado um umbigo enorme a Adão, o que lhe valeu observações repressivas por parte de alguns teólogos da época.

Esta questão da existência ou não do umbigo de Adão, porém, serve em nossos dias para mostrar o quanto é também conflituosa a explicação da origem do homem frente às duas principais teses explicativas sobre este fato, o criacionismo e o evolucionismo. O debate confrontando fé e ciência pode não gerar respostas absolutas, mas pode ampliar a reflexão e aprofundar nossos conhecimentos sobre a vida e a forma que a desenvolvemos no mundo...

BIBLIOGRAFIA:
http://www.brasilescola.com/historiag/o-umbigo-adao-origem-homem.
http://genesisum.blogspot.com.br/2013/06/adao-tinha-umbigo.html

domingo, 5 de abril de 2015

MOISÉS: GAGO OU NÃO ELOQUENTE?


“Então disse Moisés ao Senhor: Ah, meu Senhor! eu não sou homem eloquente, nem de ontem nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua.” Êxodo 4:10

Desde o seu chamado para liderar o povo de Israel, no episódio da Sarça Ardente, Moisés expõe uma objeção, baseada em um aparente impedimento de falar bem em público.

Muitos autores e intérpretes do Antigo Testamento tomam esta passagem como base para sugerir que Moisés era gago.

Este texto realmente encerra em seus versos fato muito curioso. Aqui nós vemos Moisés se referir a ele mesmo como sendo homem “pesado de boca”. Qual seria a real fonte do impedimento de Moisés a falar com os Israelitas?

E há algo ainda mais curioso nesta história: Porque Deus não respondeu a objeção de Moisés com imediata cura de sua dificuldade, ou, quem sabe, possível enfermidade? Certamente tal cura seria uma resposta mais direta do que enviar Arão, irmão de Moisés, como seu porta-voz.

E porque Deus escolhe um indivíduo que tem dificuldade de falar, para uma posição onde a habilidade de falar em público era tão crucial? Será que há significâncias nas camadas mais profundas dessa passagem?

"Ah, Meu Senhor, Sou Pesado de Boca e Pesado de Língua".

Seja qual fosse a origem da dificuldade de Moisés em falar, a maioria dos estudiosos do Êxodo acreditam que era algo real e físico. Porque então Deus não o cura de imediato? Rambam sugere que Deus não aliviou a dificuldade de Moisés porque Moisés, esperando que Deus escolheria outra pessoa, não faz nenhum pedido por sua cura.

O homem tem de trabalhar em parceria com Deus, como meio de mudar o seu próprio destino. Moisés, neste primeiro momento, falha em orar e pedir a Deus por sua cura, e usa a sua dificuldade como impedimento a receber o chamado divino.

O Rabino Nissim ben Reuven em sua surpreendente interpretação, afirma que a dificuldade de Moisés para falar (pesado de boca e de língua), na verdade servia como uma espécie de qualificação para a liderança. Deus, dizia Reuven, quer a Sua mensagem sendo entregue ao povo, mais do que a eloquência do mensageiro.

A história tem provado que oradores poderosos e articulados, naturalmente conseguem persuadir seu público a acreditar mesmo em mentiras, como se verdade fossem. No caso de Moisés, a verdade seria aceita não pela eloquência, mas por causa da substância da mensagem.

Samuel ben Meir, que sempre seguia a percepção da peshat (o sentido literal do texto), entendia que a suposta dificuldade de Moisés para falar não era de origem física. A insistência de Moisés em dizer que era “pesado de boca e de língua” era a simples referência ao fato de que ele não mais tinha a habilidade de se adaptar à língua egípcia e suas nuances.

“Eu deixei o Egito ainda jovem, e agora tenho oitenta anos. Certamente o Senhor encontrará alguém melhor para liderar o Seu povo.” Ilustração.
Se seguirmos o caminho sugerido por Samuel Meir, e aceitarmos que a dificuldade de Moisés não era física, veremos surgir uma outra abordagem sobre o seu impedimento, “sou homem pesado de boca e de língua”.

Aqui, talvez, Moisés não estivesse se referindo à dificuldade física de articular palavras com sua boca e língua, mas poderia estar aludindo a um fato mais profundo. A palavra original em hebraico que a Torá usa para o termo “pesado”, que Moisés usa em sua fala, é כְבַד kaved – “ser difícil, ser severo, ser pesado”.

“Então disse Moisés ao SENHOR; Ah! Senhor! eu não sou homem eloquente nem de ontem, nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado ao teu servo; porque sou pesado [כְבַד kaved ] de boca, e pesado de língua.”
 
Era como se Moisés estivesse dizendo que:

“Eu falo o que penso, da forma como vejo as coisas. Não tenho habilidades diplomáticas, sou direto, falo aquilo que se passa no meu coração, não escolho palavras, falo a verdade doa a quem doer. Como eu poderia ser então enviado para falar a um rei (faraó) e a influenciar todo um povo?”
 
Isso era uma referência a não somente a forma de Moisés falar, mas também a sua filosofia de vida. Segundo a Tradição Talmúdica, o resumo dos ideais de Moisés dizia, “deixe a Lei cortar a montanha”.

O quadro que a Torá pinta de Moisés é de um homem honesto ao extremo. Um homem que acredita que o que é certo é certo, e que a verdade deve ser buscada a todo custo.

Neste caso, a providência de Arão para acompanhar Moisés, pode ser vista como um complemento perfeito. Arão é tudo que seu irmão não é. Bondoso e sensitivo, Arão é um homem que ama a paz, que busca a paz e que cria a paz entre o homem e seus amigos.

Arão serve não apenas como porta-voz de Moisés, mas também como uma influência que contrabalança na liderança do povo. Deus claramente unia a forte retidão de Moisés, com a suavidade do caráter sensível de Arão.

Em uma outra interpretação, se nós retornarmos à posição de que a dificuldade de Moisés em falar era de origem física, vemos emergir uma outra razão para sua escolha como o líder que libertaria os filhos de Israel: Deus quer que a luta pessoal de Moisés, com suas limitações, seja um exemplo eterno para o seu povo.

Se os Israelitas veem que o seu maior líder tem defeitos, eles irão entender que perfeição não é um pré-requisito para o cumprimento de sua missão com sucesso.

Testemunhando a luta de Moisés para superar suas limitações físicas, eles aprenderão sobre a natureza do espírito humano, quando não quer se deixar derrotar facilmente.

O Homem Olha o Exterior, mas Deus Vê o Coração.

É possível superar dificuldades, e crescer tanto humanamente como espiritualmente. A jornada de Moisés, que começou como homem “pesado de boca e de língua” chegando à linda eloquência no livro de Deuteronômio, nos dão um fiel exemplo para seguirmos.

Através da escolha de Moisés por Deus, nós somos ensinados que não se deve desprezar uma pessoa por causa de suas aparentes fraquezas, ou mesmo por defeitos físicos.

Se a escolha de Moisés tivesse se baseado em requisitos humanos, certamente ele teria sido descartado. Afinal de contas, quem selecionaria alguém que era “pesado de boca” para uma missão que dependia tanto de falar em público?

Mas graças a Deus que Ele, o Senhor, foi quem fez a escolha. Escolhendo Moisés, Deus nos relembra da vasta extensão do potencial humano que frequentemente está dentro de cada um de nós, escondido da visão superficial.

“Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.” 1 Samuel 16:7
 
Fonte: www.rudecruz.com