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quinta-feira, 31 de março de 2016

LEI DE MOISÉS X CÓDIGO DE HAMURABI: PLÁGIO OU PARALELISMO?


Partindo desse questionamento os ateus militantes contestam a autoria divina das Leis mosaicas. Eles alegam que Moisés conhecia o Código de Hamurabi (conjunto de leis criadas na Mesopotâmia) e o utilizou para formular as Leis que aparecem na Torá (primeiros cinco livros da bíblia). Depois Moisés teria mentido aos hebreus dizendo que as Leis tinham sido entregues pelo próprio Deus. 

Os ateus se baseiam em certas semelhanças entre o Código de Hamurabi e as Leis de Moisés. O raciocínio deles é bem simples:

“O Código de Hamurabi é mais antigo que a Torá. O Código de Hamurabi e a Torá possuem pontos em comum. Logo, a Torá é um plágio do Código de Hamurabi”. 

É um monumento monolítico talhado em rocha de diorito , sobre o qual se dispõem 46 colunas de escrita cuneiforme acádica, com 282 leis em 3600 linhas. A numeração vai até 282, mas a cláusula 13 foi excluída por superstições da época. A peça tem 2,25 m de altura, 1,50 metro de circunferência na parte superior e 1,90 na base

Obviamente isso não é suficiente para provar que Moisés plagiou Hamurabi, mas os neo-ateus não querem nem saber.

Eu poderia usar o mesmo argumento dessa forma:

"A Constituição dos Estados Unidos tem pontos em comum com a Constituição brasileira. A Constituição dos Estados Unidos é mais antiga que a do Brasil. Portanto a Constituição brasileira certamente foi COPIADA da Constituição dos Estados Unidos "

Isso faz sentido? Evidente que não! Mas é mais ou menos isso o que os neo-ateus estão dizendo no caso da Lei mosaica. 

É claro que existem algumas semelhanças entre esses dois conjuntos de leis, como, por exemplo, o fato de Hamurabi e Moisés terem adotado a “lei de talião”. A “lei de talião” na verdade é um conceito de aplicação de pena que visa dar ao criminoso uma punição semelhante ao crime que ele cometeu. É o famoso “olho por olho, dente por dente”. Por exemplo: se o criminoso matou, ele deve morrer. Se furou o olho da vítima, deve ter seu olho perfurado também. O castigo deve ser semelhante ao crime. É uma tentativa de estabelecer uma proporção entre o dano que o crime causou e a punição ao criminoso.

É normal que em sociedades parecidas (como era o caso dos israelitas e babilônios), as leis também tenham certas semelhanças (isso acontece até nos dias de hoje em várias nações). 

Porém também existem diferenças entre as Leis mosaicas e Hamurábicas:
  • O Código de Hamurabi é formado por 282 leis
  • A Lei mosaica tem 613 leis (mais que o dobro)
  • O Código de Hamurabi é puramente civil
  • A Lei mosaica, além de possuir leis civis, também possui leis religiosas
  • A Lei mosaica também possui um padrão moral muito superior ao do Código de Hamurabi.
A Lei mosaica não fazia distinção de classes sociais na hora do julgamento. Não importa se o cidadão era pobre ou rico – ele seria julgado da mesma forma: 

“Não cometam injustiça num julgamento; não favoreçam os pobres, nem procurem agradar os grandes, mas julguem o seu próximo com justiça” (Lv 19.15). 

Já o Código de Hamurabi previa penas médias para ricos que prejudicavam os pobres e penas severas para os pobres que prejudicavam os ricos (Seção 196 – 205)

Se porventura alguém abrigasse um escravo foragido, ou o ajudasse em sua fuga, receberia pena de morte, de acordo com o Código de Hamurabi (Seção 15, 16)

A Lei mosaica, por sua vez, dizia que você não era obrigado a devolver o escravo (Dt. 23.15). Isso faz sentido, pois os escravos geralmente fugiam de senhores que os maltratavam. 

Crimes contra a propriedade eram punidos com a morte pelo Código de Hamurabi (Seção 6)

A Lei mosaica fazia com que o ladrão restituísse tudo o que roubou (Êxodo 22.3)

Conclusão: Como se vê, a Lei mosaica não parece ser uma cópia do Código de Hamurabi, como afirmam os neo-ateus, mas somente um conjunto de leis com alguns pontos em comum ou semelhantes. Existem muitos pontos diferentes também. Em alguns pontos as diferenças são gritantes. Não há absolutamente nenhuma base convincente para sustentar a afirmação dos ateus militantes. O fato de a Lei mosaica também ter adotado a lei de talião não prova que Moisés cometeu plágio, até porque a lei de talião vigorou em muitas legislações remotas, sendo muito comum na Idade Média, inclusive. Será que todas essas legislações plagiaram o Código de Hamurabi? Acho muito improvável!

Fonte: http://neoateismodelirante.blogspot.com.br/2014/09/as-leis-mosaicas-foram-baseadas-no.html 

segunda-feira, 28 de março de 2016

PORQUE MUITOS CRISTÃOS NÃO FREQUENTAM A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL - EBD?


As muitas pesquisas realizadas mostram que a frequência da Escola Dominical não é das melhores. Recentemente vi uma pesquisa realizada por uma editora, que a frequência dos cristãos a Escola Bíblica de um das grandes denominações evangélicas do Brasil é menos de 40% do total de fieis que fazem parte da mesma. Porém, pasmem, pois essa pesquisa ainda é animadora diante de situações ainda mais caóticas espalhadas pelo nosso país. Conheci uma igreja que menos de 15% todo total de pessoas que fazem parte da igreja não frequentam a Escola Bíblica. Diante desse quadro e entendendo o valor do Estudo Bíblico, sendo ele o caminho para que tenhamos uma vida espiritualmente saudável, nos perguntamos: PORQUE MUITOS  CRISTÃOS NÃO FREQUENTAM A EBD?

Nesse artigo veremos os motivos mais comuns da falta de frequência da Igreja na Escola Bíblica e discutiremos juntos os caminhos para resolver cada questão.

1º - O DIA DA EBD
Para muitas pessoas que não frequentam a EBD, o motivo esta no dia. Domingo é dia de Escola Bíblica, mas para muitos, domingo é dia de trabalhar, cozinhar, lavar, dormir até mais tarde, se divertir e etc. Sejam ou motivos justos ou não, é um dos problemas apresentados pelos ausentes a EBD.

COMO RESOLVER: Nessa situação duas atitudes podem ser tomadas. Primeiro, mostrar a Igreja que vale sim apena fazer um esforço, abrindo mão de algo ou ainda se reprogramando, para estarem nos domingos pela manhã na Escola. Em segundo lugar, a direção da EBD pode criar uma Escola Bíblica num outro dia da semana, visando abençoar aqueles que não podem estar nos domingos.

2º - O HORÁRIO DA EBD
Quantos são os irmãos e irmãs (em especial elas) reclamam principalmente do horário de encerramento da EBD. Essa reclamação se dá devido os compromissos domésticos e familiares que ainda tendem a se cumprirem após a EBD. Com isso muitos desistem de ir a Escola, pois já tem aquela ideia que o pastor terminara a Escola tarde. É preciso ficar atento, pois esse também é um ponto que merece toda a nossa atenção, já que desejamos que um maior número de pessoas frequente a Escola Bíblica.

COMO RESOLVER: Analise qual a realidade das pessoas que frequentam a EBD. Nesse caso, deveremos também dar uma atenção especial as irmãs que tem atividades do lar para concluírem. Fato que se torna mais relevante ainda, quando os maridos não são cristãos. Por isso vale o bom senso ter um bom horário de inicio e encerramento da Escola Bíblica.

3º - POR FALTA DE ESTRUTURA
São salas quentes, úmidas ou ainda a falta delas. Seja por falta de valorização da EBD ou pela estrutura física da Igreja ainda em processo de construção, gerando assim o improviso, muitas vezes nos lugares mais desconfortáveis possíveis. Em casos mais extremos, as classes são distribuídas dentro do próprio templo, gerando ruídos que resulta na falta de concentração e absorção do conteúdo.
Falta de estrutura é igual à evasão escolar!

COMO RESOLVER: Diante desse gigantesco problema, uma das ações (que diga de se passagem não é nada fácil) é o investimento financeiro na construção de espaços para a realização da EBD. Caso isso ainda não seja possível, vale apena analisar ao redor e observar outras possibilidades, como uma casa vazia próximo a igreja, uma praça, escola ou ainda outros espaços que possam servir como classes provisórias na própria igreja. 

4º - PORQUE O PROFESSOR É CHATO
Quando ouvimos essa justificativa daqueles que não frequentam a EBD, na verdade eles estão querendo dizer que o professor não tem conhecimento bíblico, não tem criatividade, não tem estratégias de didática, não abre espaço para ouvir os alunos, é antipático e etc. Esse é um dos grandes motivos que tem levado muitas pessoas a não frequentarem a EBD; a falta de preparo do professor.

COMO RESOLVER: Primeiro vale apena pensar ser esse é realmente o dom do irmão, depois acredito que o investimento na capacitação dos professores, acompanhado de boas orientações, sejam os caminhos para a solução do problema.

5º - FALTA DE CRIATIVIDADE
Como já foi dito, um dos maiores erros cometidos na EBD é a rotina. Servimos um Deus super criativo, sendo assim acredito que seja também sua vontade que seus servos se utilizem dessa recurso. E segundo Sua orientação, fazer de nossas Escolas um lugar é alegria, vibração, de divertimento sadio. Mas lembre-se, sempre a PALAVRA DE DEUS deve e deverá ocupar seu lugar de primazia, pois sem ela, tudo não passará de uma mera reunião divertida.

COMO RESOLVER: O primeiro passo é abrindo mão da resistência a mudança. Logo depois, pedindo orientações e ideias ao Senhor para apresentar sua Palavra de forma mais dinâmica.

DESENVOLVENDO A CRIATIVIDADE: Peça orientação a Deus, seja uma pessoa bem informada, observe o seu redor, seja curioso, seja um bom leitor, converse com outras pessoas, anote suas ideias, tenha coragem de aplicar as ideias, adapte as ideias conforme a sua realidade, explore suas próprias habilidades, ideias e experiências e caixa de sugestões.

IDÉIAS: Realize a EBD em um lugar diferente pelo menos de dois em dois meses, trabalhe focado em metas e objetivos, premie os alunos que mais frequentes, promova uma competição entre as classes, faça uma Escola diferente no final de cada lição, realize uma campanha voltada para EBD, promova um café da manhã uma vez por mês. 

6º - FALTA DE MARKETING DA EBD
Quando eu me refiro à falta de marketing, me referindo à falta de divulgação da IMPORTÂNCIA DA EBD. Visto que muitos irmãos ainda não compreenderam que a Escola Dominical, não mais uma atividade da Igreja, mas segundo a minha opinião a mais importante de todas. Pois, é um momento separado especificamente para os estudos das escrituras e como já afirmamos é ela que fará toda a diferença em nossas vidas.

COMO RESOLVER: Compreenda a necessidade de divulgação da Escola Bíblica, mesmo que dentro da própria comunidade. Essa ação é de fundamental importância para que sempre estejam lembrando da importância da mesma.

IDÉIAS: Cartaz, banner, marcador de Bíblia, culto especial, camisas personalizadas, imas de geladeiras, faixas, redes sociais, mensagens de celulares, teatro, uma mensagem, um simpósio de Escola Dominical, calendário e etc.

7º - FALTA DE FOME PELA PALAVRA
Eis o maior de todos os problemas da falta de frequência dos cristãos a Escola Bíblica. Infelizmente muitos são os irmãos que ainda não compreenderam o valor do estudo da Palavra de Deus. Não são como os bereanos que com toda a fome espiritual receberam a Palavra de Deus por intermédio do apóstolo Paulo (At. 17.11). Ainda não perceberam que vale apena todo esforço possível para estarmos diante das Sagradas Escrituras, sendo ela a fonte de vida. Assim, não importa o que fazemos pela EBD, ela nunca será valorizada e frequentada, se não atingirmos o inimigo principal – A FALTA DE FOME DA PALAVRA DE DEUS.

COMO RESOLVER: Dois são os caminhos: Ore para que o Espírito Santo faça acender a chama do interesse pela Palavra e ministre aos corações dos irmãos o valor da Palavra na vida do cristão.

Fonte:http://lardocelar.org/porque-a-escola-biblica-dominical-esta-morrendo/

sábado, 26 de março de 2016

MALHAÇÃO DE JUDAS


Malhação de Judas ou Queima de Judas é uma tradição vigente em diversas comunidades católicas e ortodoxas que foi introduzida na América Latina pelos espanhóis e portugueses. É também realizada em diversos outros países, sempre no Sábado de Aleluia, simbolizando a morte de Judas Iscariotes.

Consiste em surrar um boneco do tamanho de um homem, forrado de serragem, trapos ou jornal, pelas ruas de um bairro e atear fogo a ele, normalmente ao meio-dia.

HISTÓRIA

Cada país realiza a tradição de um modo. No Brasil é comum enfeitar o boneco com máscaras ou placas com o nome de políticos, técnicos de futebol ou mesmo personalidades não tão bem aceitas pelo povo.

Algumas cidades fazem da Malhação de Judas uma atração turística, como a cidade paulista de Itu. Famosa por seus objetos de tamanhos avantajados, os moradores da cidade aumentam o tamanho do boneco a cada ano, mas com um diferencial, no lugar de atearem fogo, é usando até mesmo dinamite, costuma-se chamar o Estouro de Judas.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Malha%C3%A7%C3%A3o_de_Judas

quinta-feira, 24 de março de 2016

JUDAS SE ENFORCOU OU SE JOGOU DE UM PENHASCO?


Judas se enforcou,

"E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar. (Mateus 27.5)" 

ou se jogou de um barranco e se partiu ao meio? 

"Ora, este adquiriu um campo com o galardão da iniqüidade; e, precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram (Atos 1.18)" 

Olhando os dois escritos vemos que existe uma diferença de tempo entre o que Mateus escreveu e o que Lucas nos Atos dos Apóstolos escreveu. Ambos escrevem para comunidades diferentes, Mateus escreve para Judeus de Jerusalém (Mateus aramaico 50 d. C e Mateus 60 d.C.) e numa distância pequena entre o acontecido e o escrito. Muitos dos que ouviam o evangelho de Mateus viveram aqueles fatos, presenciaram e participaram. Enquanto que Lucas, não foi discípulo de Jesus, acompanhou em particular a Paulo nas suas viagens e seus ouvintes. (evangelho de Lucas 70 (d.C.) não conheciam nem a Palestina, ou Jerusalém muito menos onde se localizava este campo Aceldama, chamado de “campo de sangue”.

Nota: Lucas não foi discípulo de Jesus. Ele nem chegou a conhecer Jesus, pois quando Lucas nasceu, Jesus já tinha morrido. Lucas era um médico grego e viveu na época do apóstolo Paulo.

Na compreensão dos fatos podemos dizer que o que Mateus descreve são os fatos reais do momento. Judas vendo que Jesus fora condenado se arrependeu e pegou as 30 moedas de prata e quis devolver aos sacerdotes, mas eles não receberam, então Judas atirou as moedas no templo e retirou-se para enforcar-se. Os chefes e sacerdotes compraram com este dinheiro “impróprio para o templo, dinheiro de sangue” um campo para sepultar os estrangeiros chamado “campo de sangue”, devido ao acontecido. (Conhecemos a rigidez da lei judaica para com os estrangeiros).

Atos dos Apóstolos escrito por Lucas aparece mais tarde simplesmente, não repete o fato, mas só narra as consequências em Atos 1.18 diz que:

“caindo de cabeça para baixo, arrebentou pelo meio e derramando-se todas as suas entranhas” (Atos 1.18) Bíblia de Jerusalém.

Portanto pode assim se entender: que Mateus trata do modo da tentativa de suicídio, e Atos dos Apóstolos por sua vez descreve o resultado. Lucas simplesmente narra o acontecimento depois do fato acontecido, o suicídio. Pelo visto, Judas atou uma corda ao galho duma árvore, e tentou enforcar-se por pular dum penhasco. (E uma explicação razoável e compreensível, a Aceldema localiza num penhasco rochoso, perto de Jerusalém ao lado da “Geena”, onde se levava toda a imundice da cidade e da limpeza dos animais para os sacrifícios). Parece que a corda ou o galho da árvore se rompeu, de modo que ele despencou de cabeça para baixo e se rebentou nas rochas embaixo. (Jerusalém por estar junto ao deserto da Judeia, e dos vários cercos que sofreu, praticamente não possuía árvores de porte, e a árvore escolhida por Judas, não aguentou e quebrou). A topografia em volta de Jerusalém torna esta conclusão razoável.

Outros autores entendem da mesma forma a passagem de Atos 1.18 como o resultado do acontecimento.

É possível que, “se precipitando de cabeça para baixo” fosse um termo médico para “inchação”. (ou também possível que o cadáver tenha inchado, arqueado a cabeça e pelo calor caído por terra arrebentando-se conforme Milligan em O Vocabulário do Testamento Grego, pg. 535-536). Para uma boa discussão das diferentes versões da morte de Judas (Mateus 27.5 x Atos 1.18) Hard Sayings of the Bible, pg. 511-512.

Fonte: http://www.abiblia.org/ver.php?id=4373

quarta-feira, 23 de março de 2016

QUEM FOI O DUODÉCIMO: PAULO OU MATIAS?


Constantemente temos visto muitos crentes debatendo entre si sobre o MINISTÉRIO APOSTÓLICO de Paulo. Alguns irmãos creem que Matias era o verdadeiro substituto de Judas Iscariotes e não Paulo. Outros acreditam que havia mais de DOZE APÓSTOLOS de JESUS CRISTO. Há alguns que vão mais longe afirmando que nos dias atuais ainda existem APÓSTOLOS como nos tempos bíblicos.

Diante deste tema que se tornou motivo de muitas contendas pretendemos esclarecer o assunto ao leitor baseado naquilo que diz as Escrituras. 

Muitos irmãos, por exemplo, acreditam que Matias era um legítimo APÓSTOLO de CRISTO baseado no texto de At 1.15-26 onde narra a escolha de Matias para substituir o Traidor. Segundo o pensamento destes irmãos o texto de ATOS comprova que Matias era de fato o 12º APÓSTOLO de CRISTO e não Paulo. 

Não é difícil demonstrar como este modo de pensar está totalmente equivocado. O cap. 1.15-26 de Atos é um texto com LINGUAGEM DESCRITIVA, isto é, Lucas está apenas DESCREVENDO o que aconteceu na Igreja primitiva naqueles dias. De modo nenhum a Bíblia Sagrada está afirmando que a Eleição de Matias foi legítima e que teve a aprovação de JESUS CRISTO. 

É verdade que Pedro interpretou corretamente o texto do ANTIGO TESTAMENTO que previa que outra pessoa deveria tomar o bispado de Judas, todavia os ONZE APÓSTOLOS não tinham autoridade de DEUS para fazer uma escolha que pertencia somente à pessoa de JESUS CRISTO. 

A escolha de um APÓSTOLO era algo muito sério e que pertencia exclusivamente a JESUS. Jesus, antes de escolher os DOZE APÓSTOLOS, subiu ao monte e passou a noite em oração devido à importância do MINISTÉRIO APOSTÓLICO na edificação da Igreja (Lc 6.12-16). Também em At 1.2 está escrito que a escolha dos APÓSTOLOS foi uma decisão do próprio JESUS. 

Por não terem instruções da parte de DEUS para escolherem um APÓSTOLO os discípulos usaram princípios de escolha totalmente estranhos chegando ao ponto de usarem a prática de jogar SORTES, que pertencia apenas aos SACERDOTES da ANTIGA ALIANÇA. 

Outro argumento que deve ser levado em conta é que APÓSTOLO era um DOM MINISTERIAL concedido somente por JESUS, como está escrito em Ef 4.11 onde diz que: “...E ELE MESMO (JESUS) DEU UNS PARA APÓSTOLOS”. 

Isto quer dizer que nem a Igreja e nem mesmo ninguém tem autoridade de si mesmo para fazer um APÓSTOLO, pois esta é uma obra exclusiva de JESUS CRISTO. Da mesma forma a Igreja não tem poder de si mesmo para fazer um PASTOR, a Igreja pode sim RECONHECER um PASTOR que recebeu o seu DOM da pessoa de JESUS CRISTO. 

Os APÓSTOLOS foram pessoas escolhidas e comissionadas por CRISTO para uma obra extremamente importante. Os APÓSTOLOS foram os substitutos diretos de CRISTO, receberam a AUTORIDADE e os ENSINOS diretamente de JESUS para colocarem os fundamentos da Igreja de DEUS. 

Por isso que em Ef 2.20 está escrito que: A IGREJA ESTÁ EDIFICADA SOBRE O FUNDAMENTO DOS APÓSTOLOS E PROFETAS. Ainda em Ef 3.5 Paulo continua a dizer que a IGREJA é o MISTÉRIO de CRISTO que esteve oculto por muitos séculos e que, AGORA, foi revelado pelo ESPÍRITO SANTO aos seus santos APÓSTOLOS e PROFETAS. 

Os APÓSTOLOS de CRISTO receberam uma MISSÃO ESPECIAL, a qual nenhum outro homem jamais receberá; colocar os FUNDAMENTOS da DOUTRINA de CRISTO. 

Ora, o FUNDAMENTO de um edifício só se coloca uma vez, por isso Paulo diz em 1Co 3.10 que ele colocou o FUNDAMENTO e nós edificamos sobre este FUNDAMENTO que são as DOUTRINAS da BÍBLIA SAGRADA. 

Mais importante ainda é que os APÓSTOLOS de CRISTO falavam palavras INSPIRADAS, isto é, falavam palavras com AUTORIDADE DIVINA ABSOLUTA. Exatamente por isso é que rejeitar as instruções dos APÓSTOLOS era rejeitar as palavras do próprio DEUS (leia 1Ts 2.13). 

Há ainda alguns que pensam que havia mais de DOZE APÓSTOLOS de CRISTO, todavia a BÍBLIA SAGRADA é bastante clara ao afirmar que existiam apenas DOZE APÓSTOLOS e não treze ou mais APÓSTOLOS como afirmam eles. Em Mt 19.28 após ser indagado por Pedro, JESUS promete recompensar os seus APÓSTOLOS dando-lhes a honra de assentarem em DOZE TRONOS para julgar as DOZE TRIBOS de ISRAEL. 

O texto deixa claro que JESUS tinha um grupo de apenas DOZE APÓSTOLOS e não de TREZE ou mais APÓSTOLOS como pensam alguns crentes. Até porque se realmente existiam mais de DOZE APÓSTOLOS então JESUS teria que arranjar mais TRIBOS de ISRAEL para serem julgadas pelos APÓSTOLOS. 

Para tornar mais firme o que estamos afirmando basta ler em Ap 21.14 onde João vê a SANTA JERUSALÉM que de DEUS descia do céu e tinha DOZE fundamentos com os nomes dos DOZE APÓSTOLOS do CORDEIRO. Alguém pode argumentar que a BÍBLIA SAGRADA afirma que TIAGO (GLl 1.19) era reconhecido por todos como um verdadeiro APÓSTOLO. 

Também BARNABÉ em At 14.4,14 é chamado de APÓSTOLO. É preciso entender que o título de APÓSTOLO que estes homens receberam era por causa da grandeza do SERVIÇO que eles prestaram à IGREJA e não porque eram APÓSTOLOS genuínos. 

Semelhantemente o próprio PAULO quando escreveu algumas de suas EPÍSTOLAS (2Co; Fp; Cl; 1Ts e 2Ts) colocou como CO-AUTOR de suas cartas alguns de seus AUXILIARES para honrá-los pelo serviço que lhe prestavam. 

Ninguém seria louco de pensar que TIMÓTEO e SILVANO foram INSPIRADOS por DEUS para escreverem aquelas CARTAS juntamente com PAULO. O próprio JESUS em Hb 3.1 é chamado APÓSTOLO que é um TÍTULO de HONRA pela sublimidade de sua OBRA SALVÍFICA e mesmo JESUS sendo chamado APÓSTOLO não fazia parte do grupo dos DOZE APÓSTOLOS. 

Para finalizar nosso artigo queremos enfatizar DUAS IMPORTANTES VERDADES: 

  • A primeira é que PAULO era realmente o 12º APÓSTOLO de CRISTO ( leia Gl1.1; 11-17; 1Co 1.1; 9.1,2; 15.9; 2Co 11.5; 12.12). Se PAULO não era o 12º APÓSTOLO então a conclusão que devemos chegar é que PAULO mentiu ou no mínimo se enganou acerca do seu MINISTÉRIO já que ele se considerava um verdadeiro APÓSTOLO de CRISTO. Por tudo que PAULO fez e pelo seu encontro com JESUS a conclusão é que ele era realmente o substituto de Judas. 
  • A segunda verdade que precisamos enfatizar é que não existem mais APÓSTOLOS como nos tempos da IGREJA PRIMITIVA. Os APÓSTOLOS de CRISTO estão presentes entre nós hoje apenas através das ESCRITURAS SAGRADAS que escreveram. Qualquer pessoa que se proclame APÓSTOLO está usurpando algo que fere os princípios da BÍBLIA SAGRADA. Aliás, no meio evangélico já temos notícia de muitos líderes ordenando a si mesmo APÓSTOLO e também até PATRIARCA. Como estes FALSOS MESTRES são altamente ORGULHOSOS não duvido que logo-logo eles se auto-proclamarão QUERUBINS UNGIDOS.


    Fonte:http://eliziariodias.com.br/igreja_backup/paulo-ou-matias.-quem-era-o-12--apostolo-.html

POSSO LANÇAR SORTES PARA A ESCOLHA DE LÍDERES?



I. Introdução

Com a traição e, posteriormente, o suicídio de Judas, a equipe apostólica ficou desfalcada. Por isso, a igreja, reunida em Jerusalém enquanto esperava o cumprimento da promessa do Espírito, sob a liderança do apóstolo Pedro, percebeu a necessidade de encontrar um substituto para ocupar a vaga deixada por Judas. De acordo com Marshall (2008, p. 63-34),

“… no Evangelho, os Doze tinham uma função especial como apóstolos aos judeus, e tinham a certeza de passarem, no futuro, a sentarem-se em tronos para julgar as doze tribos de Israel (Lc 9.1-6; 22.28-30); o preenchimento da cifra provavelmente visava indicar que a tarefa de testificar de Jesus como Messias, diante dos judeus, era para ser continuada depois da ressurreição”.

A fim de justificar a substituição de Judas, Pedro faz um discurso, no qual cita duas passagens do Antigo Testamento. A primeira delas, “Fique deserto o seu lugar, e não haja ninguém que nele habite” (Sl 69.25 conforme At 1.20), é interpretada como uma referência à maldição recaída sobre Judas e seus bens. O segundo texto, “Que outro ocupe o seu lugar” (Sl 109.8 conforme At 1.20), é citado para comprovar a necessidade de se restaurar o círculo dos doze apóstolos.

II. O uso das sortes na escolha de Matias

Então, uma vez convencidos da necessidade de preencher a vaga deixada por Judas, os apóstolos elencam os pré-requisitos a que os candidatos ao apostolado devem satisfazer. Nesse sentido, Kistemaker (2006, p. 97) destaca que “são duas as qualificações para o apostolado; o possível apóstolo deve ter sido treinado por Jesus desde o tempo do seu batismo até ao dia de sua ascensão; ele também precisa ser testemunha da ressurreição de Cristo”. Em decorrência dos critérios levantados apenas duas pessoas foram consideradas aptas a concorrer à vaga: José e Matias. Após orarem, pedindo ao Senhor que revelasse sua escolha, os apóstolos lançarem sortes e Matias foi, dessa maneira, nomeado para assumir o apostolado.

Diante do método utilizado, as sortes, pode-se questionar: foi correto lançar sortes para a escolha de Matias? Isso não foi fruto da superstição da igreja do primeiro século? Além disso, se o método foi correto e aprovado por Deus, então não poderíamos fazer o mesmo quando precisamos tomar decisões? Ou mais especificamente: atualmente, a igreja não deveria lançar sortes para eleger sua liderança?

É necessário destacar que embora o processo de escolha tenha culminado no uso das sortes, outras providências foram previamente tomadas pelos apóstolos, como um “conjunto de fatores que propiciaram a descoberta da vontade de Deus quanto a essa questão” (STOTT, 2008, p. 59). John Stott esclarece que, primeiramente, eles buscaram nas Escrituras, orientações gerais sobre a necessidade de substituir Judas. Ao aplicarem o Sl 109.8, “Que outro ocupe o seu lugar”, à situação em que se encontravam, Pedro juntamente com os apóstolos, demonstram que estão agindo em obediência ao que determina a Palavra de Deus, e não por suas próprias vontade e iniciativa. Em segundo lugar, seguindo o bom censo, os apóstolos buscaram discernir as qualificações necessárias para o ministério apostólico. Em terceiro lugar, eles recorreram à oração, ao entenderem que a escolha deveria ser feita por Cristo, pois uma vez que ele mesmo havia escolhido o grupo original, Ele também deveria escolher o substituto. Além disso, de acordo com a oração apresentada, Ele é o único que conhece o coração de todos e, portanto, pode fazer a escolha melhor que qualquer outro. Por fim, somente após percorrerem essas etapas, os apóstolos lançaram sortes entre os candidatos.

Contudo, a dificuldade permanece: o método utilizado foi válido? Ao que se pode responder: sim, sem dúvida, porque os apóstolos agiram de acordo com o conhecimento bíblico que possuíam e, mais ainda, porque Lucas não lhes fez nenhuma censura ao relatar o fato. Eles sabiam que o uso de sortes era comum no Antigo Testamento, a “Bíblia” como eles a conheciam. Kistemaker (2006, p. 100) exemplifica:

a) Os sumo sacerdote lançavam sortes através do Urim e Tumin (provavelmente duas pedras pequenas) para tomar decisões pelos israelitas (Êx 28.30);

b) Os israelitas lançaram sortes para distribuir a terra e determinar sua herança (Nm 26.55; Js 14.2; 15.1; 1Cr 6.54);

c) Os israelitas lançaram sortes para descobrir o pecado de Aça (Js 7.16-18);

d) O profeta Samuel lançou sortes para eleger Saul, rei de Israel (1Sm 10.20-21);

e) Os israelitas lançaram sortes para definir a escala de serviço dos sacerdotes e levitas no Templo (Ne 10.34; 11.1).

É nesse contexto histórico-religioso que Pv 16.33 ensina que Os homens jogam os dados sagrados para tirar a sorte, mas quem resolve mesmo é Deus, o SENHOR (NTLH). Portanto, através do uso das sortes, os apóstolos garantiriam que a escolha seria feita pelo próprio Senhor, e não por eles mesmos. Entretanto, a escolha de Matias foi a última vez em que se registrou o uso de sortes nas tomadas de decisão do povo de Deus. Marshall (2008, p. 67) destaca que:

“durante o período antes do Pentecoste, a igreja precisava encontrar algum outro meio de orientação divina que não fosse a ajuda do Espírito, mas o método que adotou (a oração e o lançamento de sortes) foi inteiramente apropriado. Na realidade, a igreja estava pedindo ao Senhor que fizesse a Sua escolha do homem certo, e a este foi ‘contado’ (ARA) como apóstolo.; não se pode dizer que a igreja o ‘elegeu’ ”.

Especialmente após o derramamento do Espírito em Pentecoste não há mais evidências dessa prática para nomeação dos líderes da igreja. Para exemplificar esta mudança de paradigma, já em Atos 6, quando surgiu a necessidade de eleger diáconos para auxiliarem a assistência às viúvas carentes, vê-se que o método utilizado foi a escolha direta pela igreja, a qual apresentou o grupo escolhido aos apóstolos para que orassem por ele e lhe impusessem as mão.

Em contrapartida, alguns estudiosos bíblicos alegam que a escolha de Matias, ainda mais prejudicada pelo emprego de sortes, foi precipitada, pois além do episódio da escolha, o livro não registra mais informações posteriores sobre ele. Defendem que Paulo seria o apóstolo escolhido por Deus para integrar o grupo dos Doze.

Confira: http://marciocandido2013.blogspot.com.br/2016/03/quem-foi-o-duodecimo-paulo-ou-matias.html 

Entretanto, essa posição pode ser facilmente refutada pelo fato de o texto não apresentar a decisão dos apóstolos de maneira reprovável. Além do mais, depois de At 1.13, nenhum apóstolo, exceto Pedro e João, é citado pelo nome no livro de Atos. Além disso, Paulo não possuía as qualificações necessárias para o ofício. E finalmente, em At 6, quando os apóstolos sentiram a necessidade de tomar uma decisão quanto à assistência às viúvas, o texto bíblico destaca que “os doze” convocaram os discípulos para resolverem a questão. Este fato evidência que Matias foi considerado verdadeiro apóstolo e que completou efetivamente o número da equipe apostólica.

III. O problema do precedente histórico

As dificuldades encontradas na interpretação e, mais ainda, na aplicação deste texto giram em torno da questão do precedente histórico. Este fator questiona quanto do que encontramos nos textos narrativos da Bíblia pode ser imitado pelos leitores da atualidade. Ou seja, quanto do livro de Atos simplesmente descreve o que aconteceu com os cristãos daquela época, e quanto determina o que deveria acontecer com os cristãos de hoje? Será que todos os comportamentos da igreja primitiva, relatado em Atos, devem ser copiados pela igreja contemporânea? Por exemplo: devemos fazer eleições na igreja jogando a sorte? Devemos vender todos os nossos bens e doar aos pobres? Toda a manifestação do Espírito deve ser acompanhada do dom de línguas?

Fee e Stuart (2011, p. 144), abordando esse desafio hermenêutico, questionam:

“Como as narrativas individuais em Atos, ou qualquer outra narrativa bíblica, servem de precedente para as demais gerações da igreja, elas são precedentes? Ou seja, o livro de Atos tem uma palavra que não somente descreve a igreja primitiva, mas também fala como uma norma para a igreja em todos os tempos? Se há semelhante palavra, como podemos descobri-la ou como podemos estabelecer princípios que nos ajudem a escutá-la? Se não há, então o que fazemos com o conceito do precedente? Em suma, qual o papel exato que o precedente histórico desempenha na doutrina cristã ou na compreensão da experiência cristã?”

Como resposta a essas questões, Stott (2008, p. 12) apresenta as seguintes sugestões:

“Precisamos procurar o que se ensina sobre o assunto, primeiramente no contexto imediato (dentro da própria narrativa), depois naquilo que o autor descreve em outras passagens e, finalmente, no contexto mais amplo das Escrituras como um todo”.

IV. Conclusão

Portanto, adotando a recomendação acima e ao analisarmos o contexto imediato de Atos 1, percebemos que a decisão tomada pelos apóstolos ao empregarem as sortes não foi feita de forma precipitada, como uma resposta buscada no acaso, pois além de utilizar um padrão conhecido, eles buscaram o respaldo das Escrituras, usaram o bom censo e oraram. A seguir, investigando o que Lucas escreve no restante de Atos, percebemos que após a descida do Espírito sobre a igreja em Atos 2, não se encontra o uso das sortes para discernir a vontade de Deus ao tomar decisões. Além disso, ao buscar o contexto mais amplo das escrituras, encontramos Jesus prometendo que “quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade” (Jo 16.13) e Paulo assegurando-nos que “todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14).

Enfim, conclui-se que ainda que o uso das sortes, empregado pelos apóstolos para a nomeação de Matias, tenha sido um método válido e apropriado, o mesmo não poderia ser copiado hoje pelos cristãos, os quais vivem na direção do Espírito Santo, que habita neles e os guiam. Entretanto, a passagem ainda tem muito a dizer aos crentes da atualidade sobre a importância do conhecimento da Escritura, do bom censo e, sobretudo, da oração para as tomadas de decisões.

V. Bibliografia

FEE, G. D.; STUART, D. Entendes o que lês?: um guia para entender a Bíblia com auxílio da exegese e da hermenêutica. 3. ed. São Paulo: Vida Nova, 2011.

KISTEMAKER, S. Atos: volume 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. (Comentário do Novo Testamento)

MARSHALL, I. H. Atos: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008. (Série Cultura Cristã)

STOTT, J. A mensagem de Atos: até os confins da Terra. 2. ed. São Paulo: ABU, 2008. (A Bíblia fala hoje)

VI. Fonte

TODAH ELOHIM - http://todahelohim.com/2014/02/o-uso-das-sortes-na-escolha-de-matias-a-questao-do-precedente-historico-em-atos.html

segunda-feira, 21 de março de 2016

ZELOTAS E SICÁRIOS


Na Palestina do século primeiro dois grupos de resistência à opressão romana se destacavam: zelotas e sicários. Esses dois grupos entendiam que a libertação do povo só viria mediante a luta armada. Os sicários eram conhecidos por ocultarem punhais por debaixo da roupa. O termo "sicário" vem do latim sica (punhal). Os zelotas (fervorosos), apesar de menos radicais que os sicários, também faziam uso das armas. Simão, por exemplo, era um zelota:


Lc 6,15 "Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote";

At 1,13 "E, entrando, subiram ao cenáculo, onde permaneciam Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago".

Há quem suponha que Judas e Pedro também fossem zelotas [1] . Não é de estranhar que Pedro estivesse portando uma espada (e fizesse uso dela!) por ocasião da prisão de Jesus. A luta dos zelotas e sicários tinha motivação política e religiosa. Eles queriam ter plena liberdade de culto, sem as constantes intromissões romanas, que elegia e depunha sacerdotes a seu bel prazer. Eles também queriam que Israel fosse independente economicamente, como na época do rei Davi e da revolta dos macabeus (167 a.C.). Para se ter uma idéia de como a taxação era pesada, veja este decreto de César, em 47 a.C.:

“Em Sidom, eles [os judeus] deviam pagar o tributo (fóros) no segundo ano [do período do arrendamento], um quarto da semeadura, tendo que, além disso, pagar o dízimo a Hircano e a seus filhos, como foi pago por seus antepassados” [2].

Pois bem, como se não bastasse, ainda tinham que pagar um imposto para Jerusalém. Logo surgiram líderes carismáticos arrebanhando pessoas para uma revolta. Flávio Josefo , um historiador judeu que viveu no século primeiro, nos relata o caso de um egípcio:

“Um golpe [...] foi aplicado aos judeus pelo falso profeta egípcio. Um charlatão, que havia ganho a reputação de profeta, apareceu no país, arregimentou uma comitiva de cerca de trinta mil ingênuos, e levou-os através de um circuito do deserto ao monte das Oliveiras”[3].

Paulo, quando foi preso em Jerusalém foi confundido com um sicário:

"Não és porventura o egípcio que há poucos dias fez uma sedição e levou ao deserto os quatro mil sicários?" (At 21,38).

Segundo Hans Kippenberg, a revolta dos judeus contra o domínio romano tinha três metas:
  • Suspensão do pagamento dos tributos;
  • Suspensão dos sacrifícios pelo povo romano e seu César, e
  • Ereção da soberania política.
Kippenberg, apoiando-se em Baumbach e em documentos judaicos, diz que o termo sicários “foi a denominação dada ao movimento revolucionário rural da judéia” e os zelotas como sendo “um movimento sacerdotal” [4].

Sacerdotes e camponeses unidos pela mesma causa? Bem, os sacerdotes tinham lá suas razões para se "sujar" com o braço armado dos "impuros" camponeses galileus...

Notas:
[1] DREHER, Martin N. A igreja Latino-americana no contexto mundial, 1999, p.20.
[2] AJ XIV 203, in KIPPENBERG, Hans. Religião e formação de classes na antiga Judéia, 1988, p. 104.
[3] A Guerra dos Judeus 2.261-62, in CROSSAN, John Dominic. Quem matou Jesus, 1995, p.63.
[4] KIPPENBERG, Hans. Religião e formação de classes na antiga Judéia, 1988, p. 121.

Fonte: http://numinosumteologia.blogspot.com.br/2009/08/qual-diferenca-entre-zelotas-e-sicarios.html